O Porto de Santos passou a operar de forma regular o abastecimento de navios com etanol, estabelecendo o primeiro corredor verde mundial para navegação com biocombustível. A operação, anunciada em 23 de outubro de 2026, envolve a participação da companhia marítima CMA CGM, da trading Copersucar, da operadora Bunker One e do terminal Santos Brasil, sob coordenação da Autoridade Portuária de Santos.

O navio CMA CGM IRON, com capacidade para 13.000 TEU e equipado com motor tricombustível, recebeu etanol da cadeia produzida pela Copersucar. A operação logística foi executada pela Bunker One e pelo Santos Brasil, consolidando o porto como o primeiro do mundo a oferecer abastecimento regular de etanol para transporte marítimo comercial, conforme divulgado pelo portal Terra.

Estrutura operacional e agentes envolvidos

A operação regular de abastecimento com etanol marítimo reúne agentes complementares da cadeia de biocombustíveis e logística portuária. A Copersucar fornece o etanol produzido a partir de cana-de-açúcar, enquanto a Bunker One responde pela operação de bunkering — o abastecimento de combustível para navios. O Santos Brasil atua na infraestrutura portuária necessária para receber e movimentar o biocombustível, e a Autoridade Portuária coordena a regulação e supervisão das operações.

O navio CMA CGM IRON, da companhia francesa CMA CGM, possui motor tricombustível, tecnologia que permite operar com etanol, combustíveis fósseis ou uma combinação de ambos. Essa flexibilidade operacional facilita a adoção gradual de biocombustíveis marítimos sem comprometer a autonomia ou a segurança da navegação.

Contexto do etanol no transporte marítimo

O uso de etanol como combustível marítimo sustentável representa uma alternativa concreta para a descarbonização do setor de transporte marítimo, responsável por parcela significativa das emissões globais de gases de efeito estufa. O etanol de cana-de-açúcar oferece redução de emissões de carbono em comparação aos combustíveis fósseis convencionais, embora os ganhos ambientais dependam das condições de produção, transporte e uso do biocombustível.

O conceito de corredor verde marítimo pressupõe a disponibilidade regular de combustível de baixo carbono em portos estratégicos, permitindo que armadores operem rotas comerciais com menor pegada ambiental. O anúncio do Porto de Santos posiciona o Brasil como fornecedor estruturado de bio-bunker, termo que designa combustíveis renováveis para abastecimento de navios.

Impacto para o mercado de biocombustíveis e logística

A operação regular no Porto de Santos abre espaço para o crescimento da demanda por etanol além dos mercados de combustível rodoviário e aviação sustentável. Para produtores e tradings, o transporte marítimo representa um novo canal de escoamento, com volumes potencialmente elevados caso outras companhias marítimas adotem o biocombustível.

Do ponto de vista logístico, o abastecimento de navios com etanol exige infraestrutura adaptada, incluindo tanques, linhas de transferência e procedimentos de segurança específicos para o manuseio de álcool. A experiência acumulada no Porto de Santos pode servir de referência para outros terminais brasileiros e internacionais interessados em oferecer combustíveis marítimos sustentáveis.

A participação de uma grande companhia marítima como a CMA CGM, com presença global, amplia a visibilidade do etanol brasileiro e pode acelerar negociações com outros armadores. No entanto, a expansão do mercado depende de fatores como custo competitivo, disponibilidade de navios compatíveis e evolução regulatória no Brasil e em portos de destino.

O que acompanhar nos próximos meses

A evolução do número de navios abastecidos com etanol no Porto de Santos até o final de 2026 indicará a viabilidade comercial e operacional da iniciativa. A adesão de outras companhias marítimas e a frequência dos abastecimentos serão sinais concretos de consolidação do corredor verde.

No plano regulatório, a definição de normas específicas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis ou pelo Conselho Nacional de Política Energética pode estabelecer padrões de qualidade, segurança e rastreabilidade para combustíveis marítimos sustentáveis. A eventual adoção do modelo por outros portos brasileiros e por terminais em rotas internacionais ampliará o alcance do etanol marítimo como alternativa de descarbonização no transporte de cargas.