A janela de importação de etanol deverá ser reaberta entre dezembro de 2026 e janeiro de 2027, mesmo diante de expectativas de produção recorde no Brasil. A previsão, apresentada pelas consultorias StoneX e Argus, aponta para a entrada de 150 a 200 milhões de litros no período até março de 2027, segundo reportagem divulgada pela Reuters.
A reabertura é impulsionada por três fatores conjugados: estoques menores de etanol anidro, encarecimento do etanol produzido no mercado nacional e maior competitividade do etanol norte-americano. Essa combinação cria condições para que o produto importado encontre paridade de preços frente ao etanol brasileiro, tornando a operação comercialmente viável para distribuidoras e tradings.
Dinâmica de estoques e preços no mercado nacional
O etanol anidro, utilizado na mistura obrigatória com a gasolina, enfrenta pressão de estoques em níveis inferiores ao necessário para atender a demanda durante a entressafra da cana-de-açúcar. A produção de etanol no Brasil, embora projetada para bater recordes em volume total, apresenta descompasso temporal entre a oferta concentrada na safra e a necessidade de abastecimento constante ao longo do ano.
O encarecimento do etanol nacional reflete a combinação de custos de produção em alta, menor disponibilidade de cana na entressafra e pressão sobre os preços nas usinas. Enquanto isso, o etanol produzido nos Estados Unidos ganha competitividade em razão de custos de produção mais baixos e disponibilidade de volumes excedentes no mercado internacional.
Volumes esperados e janela de importação
As consultorias StoneX e Argus estimam que as importações de etanol poderão alcançar entre 150 e 200 milhões de litros no período que se estende de dezembro de 2026 a março de 2027. Esse volume representa uma resposta do mercado à necessidade de equilibrar oferta e demanda durante a entressafra, quando a produção doméstica tende a recuar.
A janela de importação, mecanismo que permite a entrada de etanol com condições tributárias específicas, já foi utilizada em ciclos anteriores para ajustar o abastecimento interno. A reabertura depende de decisão formal do governo, que avalia a situação de estoques, preços e impactos sobre a cadeia produtiva nacional.
Impactos sobre o setor e agentes do mercado
A possível reabertura da janela afeta diretamente produtores de etanol, distribuidoras, tradings e consumidores. Para usinas e produtores, a entrada de etanol importado pode pressionar os preços domésticos, especialmente se o volume importado for expressivo. Associações como a UNICA e a União do Etanol de Milho tendem a acompanhar de perto o movimento, dado o impacto sobre a rentabilidade da produção nacional.
Distribuidoras e tradings, por sua vez, avaliam a janela como oportunidade para garantir abastecimento a preços competitivos, reduzindo o risco de desabastecimento e volatilidade excessiva nos preços ao consumidor final. A entrada de etanol importado também pode influenciar a formação de preços da gasolina C, uma vez que o etanol anidro compõe parcela significativa do combustível vendido no país.
O que acompanhar nos próximos dias
O posicionamento formal do governo sobre a reabertura da janela de importação será determinante para confirmar o movimento previsto pelas consultorias. A reação de associações setoriais, incluindo manifestações da UNICA e da União do Etanol de Milho, deve indicar o grau de tensão entre a proteção da produção nacional e a necessidade de equilibrar preços e estoques.
Além disso, os preços domésticos de etanol e os valores praticados nas usinas serão indicadores importantes para medir o impacto efetivo da reabertura. A evolução dos estoques de etanol anidro e a dinâmica de oferta e demanda na entressafra também devem ser monitoradas de perto por executivos, tradings e investidores do setor.



