As exportações de DDG (Distiller’s Dried Grains) originadas de Mato Grosso registraram crescimento de 35%, consolidando o subproduto como ativo estratégico da cadeia do etanol de milho. A China, que abriu o mercado para o coproduto brasileiro, importou 423 mil toneladas no primeiro ano de acesso, segundo informações divulgadas pelo portal Campo em Pauta. O volume reforça a posição das biorrefinarias mato-grossenses no fornecimento de proteína concentrada para nutrição animal e amplia a margem de receita das plantas de etanol que processam milho como matéria-prima.
O DDG é obtido após a fermentação e destilação do amido presente no grão de milho. Durante a produção do etanol, os componentes não fermentáveis — proteínas, fibras, gorduras e minerais — são concentrados e desidratados, resultando em um coproduto rico em nutrientes, amplamente utilizado em rações para bovinos, suínos e aves. A comercialização desse material transforma a biorrefinaria em uma unidade de dupla finalidade: produção de combustível renovável e fornecimento de insumo para pecuária.
Abertura do mercado chinês e impacto logístico
A entrada da China como compradora de DDG brasileiro representa uma mudança estrutural para o setor. O país asiático consome volumes expressivos de proteína concentrada para alimentação animal e, até a abertura do mercado, dependia majoritariamente de fornecedores norte-americanos. A habilitação de plantas brasileiras permitiu diversificar a origem do insumo e abriu nova rota comercial para as biorrefinarias do Centro-Oeste.
O crescimento de 35% nas exportações de Mato Grosso evidencia a capacidade logística das rotas que conectam as usinas aos portos de escoamento. O estado concentra parte expressiva das plantas de etanol de milho instaladas no Brasil e dispõe de corredores ferroviários e rodoviários que atendem terminais de embarque nos portos de Santos, Paranaguá e Vitória. A movimentação de DDG adiciona complexidade operacional, exigindo armazenagem adequada e contratos de longo prazo para garantir fluxo regular de carga.
Efeitos sobre a viabilidade econômica das biorrefinarias
A receita gerada pela venda de DDG influencia diretamente a rentabilidade das usinas de etanol de milho. Em uma biorrefinaria típica, cerca de um terço da massa do grão processado é convertida em coproduto seco. A comercialização desse volume, especialmente em mercados externos com cotações atrativas, melhora a margem de contribuição da planta e reduz a exposição ao risco de preço do etanol.
Além da China, outros mercados asiáticos e do Oriente Médio têm demonstrado interesse pelo DDG brasileiro, o que pode ampliar ainda mais o volume exportado. A diversificação de destinos reduz a dependência de um único comprador e fortalece a posição negocial das biorrefinarias. Ao mesmo tempo, o aumento da demanda externa exige coordenação entre produtores, tradings e operadores logísticos para garantir padrão de qualidade, cumprimento de prazos e rastreabilidade da origem.
Cadeia integrada e competitividade da matéria-prima
O desempenho das exportações de DDG reflete a maturidade da cadeia do etanol de milho no Brasil. As plantas instaladas em Mato Grosso processam grãos de safras regionais, reduzindo custos de aquisição e transporte da matéria-prima. A proximidade com áreas produtoras de milho confere vantagem competitiva em relação a usinas que dependem de movimentação de grãos por longas distâncias.
A integração entre a produção de etanol e a geração de coprodutos também favorece a sustentabilidade econômica do modelo. A valorização do DDG no mercado internacional eleva o retorno sobre o investimento das biorrefinarias e incentiva novos projetos de expansão da capacidade instalada. Essa dinâmica tende a atrair aportes de capital e aumentar a oferta de etanol de milho no mercado doméstico.
O que acompanhar nos próximos dias
A trajetória das exportações de DDG depende da continuidade da demanda chinesa e da abertura de novos mercados compradores. Mudanças em políticas sanitárias, exigências de certificação e acordos comerciais bilaterais podem influenciar o volume embarcado. No plano doméstico, será relevante observar se o crescimento das vendas externas afeta a disponibilidade de DDG para o mercado interno de nutrição animal e se há impacto sobre os preços praticados para pecuaristas brasileiros.
Outro ponto de atenção envolve a capacidade de expansão da infraestrutura logística. O aumento do fluxo de exportação exige investimentos em armazenagem, terminais portuários e equipamentos de movimentação de grãos. A coordenação entre biorrefinarias, tradings e operadores de transporte será determinante para sustentar o crescimento registrado e capturar novas oportunidades comerciais no mercado global de coprodutos.



