A moagem de cana-de-açúcar registrou 42,42 milhões de toneladas na segunda quinzena de setembro, queda de 3,06% em relação ao mesmo período da safra anterior. A produção quinzenal de etanol acompanhou o movimento de retração e totalizou 2,182 bilhões de litros, recuo de 7,56% na comparação ano a ano. Os números foram divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) em 19 de outubro de 2026 e integram o acompanhamento da safra 2026/27.

A queda na moagem quinzenal contrasta com o desempenho acumulado da safra. Até o fim da segunda quinzena de setembro, a moagem total soma 496,08 milhões de toneladas, retração de 1,61% frente ao ciclo anterior. Já a produção acumulada de etanol cresceu 8,55%, chegando a 26,346 bilhões de litros. Esse crescimento acumulado sugere que as usinas mantiveram maior destinação da cana para etanol ao longo do período, mesmo diante da queda no volume processado.

Impactos para a oferta e os preços

A retração quinzenal na moagem e na produção de etanol traz sinais de alerta para o equilíbrio entre oferta e demanda no curto prazo. Usinas, tradings e distribuidoras acompanham de perto a evolução da moagem nas próximas quinzenas para avaliar se a tendência de queda se estende e pressiona os estoques disponíveis. A diminuição da oferta em janelas consecutivas pode exercer pressão altista sobre os preços do etanol hidratado e anidro, especialmente se a demanda interna se mantiver aquecida.

O movimento também afeta as decisões operacionais das usinas. A combinação de moagem menor com produção de etanol em queda indica que fatores como paralisações, condições climáticas ou estratégias de mix de produção podem ter influenciado o desempenho na segunda quinzena de setembro. A relação entre a retração pontual e o crescimento acumulado reforça a importância de monitorar a evolução dos números ao longo de outubro, período em que a safra avança para suas etapas finais na região Centro-Sul.

Contexto de mercado e mandato

O crescimento acumulado de 8,55% na produção de etanol fortalece a posição do biocombustível no mercado de combustíveis e contribui para o atendimento das metas de mandato estabelecidas pela política energética brasileira. A destinação crescente da cana para etanol ao longo da safra 2026/27 reflete tanto a rentabilidade do biocombustível quanto a demanda do mercado interno e as exportações. No entanto, a retração quinzenal observada em setembro exige atenção dos agentes do setor para eventuais ajustes na oferta.

A queda de 1,61% na moagem acumulada, por sua vez, indica que o volume total de cana processado até o momento está abaixo do registrado na safra anterior. Essa redução pode estar relacionada a fatores agronômicos, como menor área colhida, produtividade da lavoura ou ciclo de reforma dos canaviais. A relação entre moagem menor e produção de etanol maior evidencia a priorização do biocombustível em detrimento do açúcar, movimento que também responde a sinais de preço e políticas setoriais.

O que acompanhar nos próximos dias

A evolução da moagem de cana em outubro será determinante para confirmar se a retração observada na segunda quinzena de setembro foi pontual ou se indica uma tendência de redução mais prolongada. Usinas e agentes do mercado devem monitorar os impactos sobre os estoques de etanol e os reflexos nos preços do hidratado e do anidro, considerando a proximidade do encerramento da safra na região Centro-Sul.

Outro ponto de atenção é a relação entre moagem e destinação da cana. Se a produção de etanol continuar crescendo no acumulado mesmo com moagem menor, a estratégia de mix das usinas estará confirmada como fator central para a oferta do biocombustível. Por fim, condições climáticas, eventuais paralisações e o cronograma de fechamento das unidades produtoras devem ser acompanhados de perto para avaliar o desempenho final da safra 2026/27.