A Transpetro está preparando navios de sua frota para operar com etanol em rotas de cabotagem brasileiras, com capacidade para utilizar misturas de até 30% do biocombustível. A iniciativa faz parte do programa Mar Aberto e foi apresentada em fórum realizado em Brasília em 7 de outubro de 2026, conforme informações do Portal BE News.

A empresa já realizou testes com misturas de etanol em percentuais elevados, alcançando a marca de 30% de incorporação ao combustível convencional. A preparação da frota sinaliza avanço concreto na descarbonização do transporte marítimo nacional e abre caminho para ampliação do uso de biocombustíveis em operações de cabotagem.

Etanol marítimo e descarbonização

O uso de etanol como combustível marítimo representa alternativa aos combustíveis fósseis tradicionais, com potencial de redução de emissões em rotas costeiras. A Transpetro, subsidiária da Petrobras responsável por transporte e armazenamento de petróleo e derivados, atua em cabotagem com frota própria, o que torna a iniciativa relevante para o mercado nacional de biocombustíveis.

O programa Mar Aberto, citado como eixo da iniciativa, reúne esforços para incorporar alternativas energéticas à navegação de cabotagem. A preparação de navios para operar com etanol em misturas de até 30% demanda adequações em motores, sistemas de armazenamento e protocolos de abastecimento, além de infraestrutura portuária compatível.

Impacto no mercado de etanol

A entrada da Transpetro no uso de etanol marítimo pode consolidar novo canal de demanda para produtores de biocombustíveis no Brasil. O país é um dos maiores produtores globais de etanol, mas o mercado marítimo ainda representa fração pequena do consumo total. A operação em cabotagem, com rotas nacionais e abastecimento em portos brasileiros, facilita logística de fornecimento e reduz riscos associados a operações internacionais.

A utilização de misturas de até 30% representa patamar elevado em comparação com iniciativas internacionais, nas quais o uso de biocombustíveis marítimos costuma começar com percentuais menores. A realização de testes nesse nível indica que a Transpetro busca viabilidade técnica e operacional para incorporação em escala comercial.

Desafios e próximos passos

A preparação da frota e a realização de testes não equivalem à operação comercial plena. A empresa ainda não divulgou cronograma para entrada em operação regular dos navios com etanol, nem especificou quantas embarcações serão adaptadas ou quais rotas receberão prioridade.

Questões regulatórias, logística de abastecimento em terminais portuários e viabilidade econômica da mistura em diferentes cenários de preço do etanol e do bunker convencional são fatores que influenciarão a escala e o ritmo de adoção. A experiência da Transpetro poderá servir de referência para outras empresas de navegação de cabotagem e longo curso interessadas em descarbonização.

O que acompanhar nos próximos dias

A definição de cronograma oficial para início da operação comercial com etanol será indicador relevante do estágio da iniciativa. Informações sobre número de navios adaptados, rotas prioritárias e infraestrutura portuária necessária ajudarão a dimensionar o impacto no mercado de etanol. A reação de outras empresas de navegação e a eventual expansão do programa Mar Aberto para incluir biocombustíveis marítimos em escala maior também merecem atenção.