O Ministério de Minas e Energia formalizou em 18 de setembro de 2026 o plano de testes para avaliar a viabilidade da gasolina com 35% de etanol anidro (E35). A iniciativa, publicada por meio de portaria, representa um marco regulatório para o setor de etanol e pode alterar substancialmente a mistura obrigatória vigente na gasolina comercializada no país.

A Lei do Combustível do Futuro permite elevar o percentual de etanol anidro na gasolina a até 35%, porém exige comprovação técnica prévia. A formalização dos testes pelo MME atende a essa exigência legal e responde diretamente a recomendações do Tribunal de Contas da União, que apontou lacunas nos ensaios anteriores realizados com a mistura E32.

Lacunas técnicas e a exigência do TCU

Segundo informações apuradas pelo Portal Papo Aberto e Mundo BA, o TCU identificou deficiências nos testes da E32, especialmente em aspectos críticos como consumo de combustível, emissões de poluentes, durabilidade de componentes e processos de corrosão. Essas lacunas reforçaram a necessidade de novos ensaios mais abrangentes antes de qualquer decisão sobre o aumento da mistura obrigatória.

Os testes agora oficializados deverão avaliar de forma mais detalhada o comportamento da E35 em diferentes condições de operação dos veículos, incluindo sistemas de injeção direta e tecnologias mais recentes presentes na frota brasileira. A portaria do MME estabelece os parâmetros técnicos que nortearão os ensaios, embora o cronograma completo ainda não tenha sido divulgado.

Impactos para o setor de etanol e mobilidade

A eventual aprovação da E35 representa um potencial de expansão significativa no consumo de etanol anidro no Brasil. Para as usinas produtoras, a elevação da mistura obrigatória pode significar ampliação de mercado e maior previsibilidade de demanda, especialmente em períodos de safra elevada de cana-de-açúcar.

Para as montadoras e consumidores, os testes são fundamentais para garantir que veículos atuais e futuros operem adequadamente com o novo percentual, sem comprometer durabilidade de injetores, válvulas e outros componentes do sistema de combustível. A questão das emissões também é central, dado o potencial do etanol em reduzir a pegada de carbono da frota nacional.

Conforme reportagem da colunista Paula Gama no UOL Carros, a gasolina brasileira pode chegar a 35% de etanol, mas a implementação dependerá dos resultados dos testes agora em curso. A decisão final caberá ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), que deverá deliberar com base nas evidências técnicas coletadas.

O que acompanhar nos próximos dias

O setor deve observar o detalhamento oficial da portaria do MME, incluindo cronograma de execução dos testes e instituições responsáveis pelos ensaios. As reações do CNPE e os prazos para deliberação também são elementos-chave para avaliar a velocidade da eventual transição para a E35.

Outro ponto de atenção são os impactos estimados no consumo de etanol anidro e nas emissões de veículos, especialmente aqueles equipados com tecnologia de injeção direta. Essas informações serão determinantes para a aceitação da medida por montadoras, distribuidoras e consumidores finais.