A Bunge concluiu nesta segunda-feira, 2 de setembro de 2026, a venda de suas duas últimas usinas de cana-de-açúcar no Brasil, marcando sua saída definitiva do setor sucroenergético e de biocombustíveis no país. As unidades Rio Vermelho e Nova Unialco foram transferidas para a Cofco International, segundo informações divulgadas pela Agência Estado.

Com capacidade combinada de moagem de 7 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, as duas usinas representavam a última presença da multinacional norte-americana em um segmento que integrou sua estratégia de negócios no Brasil por anos. A conclusão da transação confirma o movimento de reestruturação da companhia, que passa a concentrar suas operações no país em outros segmentos do agronegócio.

Reconfiguração do setor sucroenergético

A saída da Bunge do setor de biocombustíveis ilustra um movimento de consolidação e reposicionamento estratégico no mercado sucroenergético brasileiro. A transferência de ativos para a Cofco International, braço agroindustrial da estatal chinesa, reforça a presença de grupos asiáticos no segmento de cana-de-açúcar e derivados no país.

A operação envolve unidades com capacidade significativa de processamento, o que pode influenciar a dinâmica regional de oferta de etanol e açúcar, dependendo das estratégias operacionais que a Cofco adotar para os ativos adquiridos. O desinvestimento da Bunge representa também um marco no reposicionamento de multinacionais tradicionais do agronegócio brasileiro, que têm revisado portfólios e priorizado segmentos com maior rentabilidade ou alinhamento estratégico.

Impactos para o mercado

Para o mercado de biocombustíveis, a mudança de controle das usinas traz incertezas e oportunidades. A capacidade instalada de 7 milhões de toneladas de moagem permanece no sistema produtivo, mas a gestão e os planos de investimento da Cofco para as unidades serão determinantes para avaliar impactos na oferta de etanol e na competitividade regional.

Produtores, tradings e investidores acompanham com atenção movimentos dessa magnitude, uma vez que alterações na estrutura de propriedade podem afetar contratos de fornecimento, estratégias comerciais e até mesmo a dinâmica de preços em determinadas regiões produtoras.

O que acompanhar nos próximos dias

O mercado deve observar se a Cofco divulgará detalhes sobre a valoração da transação e se houve aprovação regulatória específica para a operação. Também será relevante acompanhar eventuais anúncios sobre planos de expansão ou modernização das usinas Rio Vermelho e Nova Unialco sob nova gestão.

Outro ponto de atenção está no impacto dessa mudança sobre a oferta de etanol e biodiesel das usinas, especialmente considerando o contexto de demanda crescente por biocombustíveis no Brasil e a pressão por descarbonização de matrizes energéticas. A estratégia da Cofco para os ativos adquiridos pode sinalizar tendências mais amplas de consolidação e internacionalização do setor sucroenergético brasileiro.