O Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura (AIIB) aprovou um empréstimo de US$ 58 milhões à Acelen Renewables para financiar a construção de uma nova biorrefinaria voltada à produção de combustível sustentável de aviação (SAF) e diesel renovável (HVO) em São Francisco do Conde, na Bahia. A operação marca um dos principais aportes internacionais recentes no segmento de biocombustíveis avançados no país.
Segundo o AIIB, o projeto prevê a construção de uma planta baseada na tecnologia HEFA (Hydrotreated Esters and Fatty Acids) com capacidade para processar 20 mil barris por dia de matérias-primas renováveis. A unidade será integrada ao complexo industrial da Acelen e deve consolidar o Brasil como fornecedor relevante de SAF e HVO para mercados doméstico e internacional.
Estrutura do projeto e papel da AFRY
De acordo com informações da consultoria AFRY, a empresa foi contratada para fornecer serviços abrangentes de entrega de projeto para a nova planta de biocombustíveis da Acelen Renewables. A AFRY atuará em etapas que incluem engenharia, gerenciamento de projetos e suporte técnico durante a fase de construção, reforçando a dimensão técnica e a complexidade do empreendimento.
A escolha de São Francisco do Conde como localização estratégica reflete a proximidade com infraestrutura logística existente, incluindo refino, armazenamento e escoamento de combustíveis, fatores que podem reduzir custos operacionais e acelerar a entrada em operação da biorrefinaria.
Impacto para o mercado de biocombustíveis avançados
A aprovação do financiamento pelo AIIB representa um sinal relevante de confiança internacional na cadeia brasileira de bioenergia, especialmente em um momento em que o mercado global de SAF busca escalar rapidamente para atender metas de descarbonização da aviação. O HVO, por sua vez, segue ganhando espaço como substituto direto do diesel fóssil em frotas rodoviárias e operações industriais.
Para a Acelen Renewables, o projeto amplia o portfólio de produtos renováveis e posiciona a companhia como protagonista na transição energética do setor de transportes. O aporte externo também pode abrir caminho para novos investimentos e parcerias estratégicas em biorrefinarias de segunda geração no Brasil.
Produtores de matérias-primas oleaginosas, como soja, palma e gorduras residuais, devem observar atentamente os desdobramentos do projeto, uma vez que a demanda por insumos para a planta HEFA poderá impactar preços e contratos de fornecimento na região Nordeste e em outras áreas produtoras.
O que acompanhar nos próximos dias
O setor deve ficar atento à divulgação de detalhes sobre os termos financeiros completos do empréstimo do AIIB, incluindo prazos de desembolso e contrapartidas. Também será importante monitorar os cronogramas efetivos de início das obras e a previsão de entrada em operação comercial da biorrefinaria.
Outro ponto relevante é o mapeamento das cadeias de suprimento de matérias-primas que serão mobilizadas pela Acelen Renewables, bem como eventuais acordos de offtake com companhias aéreas, distribuidoras e operadores logísticos interessados em SAF e HVO.
Por fim, a evolução regulatória e os incentivos fiscais para biocombustíveis avançados no Brasil e em mercados-alvo de exportação podem influenciar diretamente a viabilidade econômica e o retorno do investimento do projeto.



