A Refinaria Duque de Caxias (Reduc), unidade da Petrobras no Rio de Janeiro, recebeu certificação internacional para produção de combustível sustentável de aviação (SAF) e foi autorizada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) a fabricar Diesel R com 8,5% de conteúdo renovável. O anúncio foi feito pela estatal em 9 de setembro de 2026, data em que a refinaria completou 65 anos de operação.
A habilitação para produzir Diesel R coloca a Reduc em posição estratégica no mercado de diesel renovável no Brasil, segmento que vem ganhando relevância com a entrada em vigor de novas políticas de descarbonização do transporte terrestre. O percentual de 8,5% de conteúdo renovável no Diesel R está alinhado com as diretrizes do programa nacional de produção e uso de biodiesel e diesel verde, ampliando as opções de combustíveis de menor pegada de carbono para o setor de transporte rodoviário e ferroviário.
Investimentos concentrados na unidade fluminense
Segundo informações da Agência Brasil, a Reduc concentra US$ 402 milhões dos US$ 4,6 bilhões previstos pela Petrobras em investimentos para biocombustíveis no ciclo 2026-2030. Esse montante representa cerca de 8,7% do total destinado ao setor e sinaliza a prioridade que a unidade terá na estratégia da estatal para ampliar a produção de combustíveis renováveis nos próximos anos.
A certificação internacional para SAF posiciona a Reduc como uma das poucas refinarias no país habilitadas a produzir combustível sustentável de aviação conforme padrões globais, o que abre espaço para atender tanto o mercado doméstico quanto eventuais demandas de exportação. O SAF é considerado essencial para a descarbonização do setor aéreo, que enfrenta poucas alternativas tecnológicas viáveis em curto prazo além dos combustíveis líquidos de baixa emissão.
Capacidade industrial e posicionamento estratégico
A autorização para Diesel R com 8,5% de renovável, concedida pela ANP em agosto, marca um avanço na diversificação da matriz de combustíveis rodoviários no Brasil. O Diesel R, que incorpora óleo diesel de origem fóssil com componentes renováveis como diesel verde (HVO) ou outros hidrocarbonetos renováveis, oferece ganhos ambientais sem exigir adaptações nos motores da frota circulante.
Para o setor de mobilidade terrestre, a entrada da Reduc na produção de Diesel R amplia a oferta nacional de diesel renovável, segmento ainda dominado por poucos players industriais. A presença da Petrobras nesse mercado pode influenciar a formação de preços, a logística de distribuição e os investimentos em infraestrutura de abastecimento em diferentes regiões do país.
O que acompanhar nos próximos dias
A logística de distribuição do Diesel R com 8,5% produzido na Reduc será um dos pontos centrais a observar, incluindo os canais de comercialização e as regiões prioritárias para abastecimento. Outro aspecto relevante são os prazos para o início da produção em escala comercial de SAF na refinaria, uma vez que a certificação internacional já está concedida.
A reação do setor privado à nova capacidade da Petrobras no segmento de diesel renovável também merece atenção, especialmente quanto a possíveis parcerias para fornecimento de matérias-primas renováveis ou acordos de offtake para o SAF produzido. Por fim, o desdobramento dos investimentos previstos para a Reduc no ciclo 2026-2030 poderá indicar o ritmo de expansão da produção de biocombustíveis pela estatal nos próximos anos.



