A Comgás recebeu autorização da Arsesp, agência reguladora do estado de São Paulo, para comercializar biometano diretamente aos consumidores finais por meio de um novo modelo regulado denominado ‘Mercado Cativo Verde’. A decisão, concedida em 14 de setembro de 2026, permite que a distribuidora utilize sua infraestrutura existente para fornecer o biocombustível gasoso com volume inicial superior a 2,6 mil metros cúbicos por dia.
Segundo informações da Exame, o modelo autorizado pela Arsesp representa uma inovação na estrutura de comercialização de biometano no país, ao estabelecer um canal regulado de venda direta que aproveita a rede de distribuição já consolidada da Comgás. A iniciativa tem como público-alvo prioritário os segmentos industrial, postos de GNV e aplicações de mobilidade, setores nos quais a demanda por alternativas renováveis ao gás natural de origem fóssil vem crescendo de forma consistente.
Impacto no mercado de biocombustíveis gasosos
A autorização concedida pela agência reguladora paulista cria um precedente relevante para o mercado de biometano no Brasil, ao estabelecer um marco regulatório claro para a comercialização direta do biocombustível. O modelo ‘Mercado Cativo Verde’ oferece aos clientes industriais e do setor de transporte uma opção regulada para acessar biometano por meio da infraestrutura existente, reduzindo barreiras de entrada e facilitando a transição energética.
Para o segmento de GNV, que busca alternativas renováveis para descarbonizar a frota de veículos leves e pesados, a iniciativa da Comgás pode representar um impulso significativo. O biometano injetado na rede de distribuição permite que postos de abastecimento e frotas cativas tenham acesso ao biocombustível sem necessidade de investimentos adicionais em infraestrutura dedicada, mantendo a competitividade em relação aos combustíveis fósseis.
Modelo regulado e potencial de expansão
O volume inicial de comercialização, superior a 2,6 mil metros cúbicos por dia, indica uma operação ainda em estágio de rampa, mas com potencial de crescimento à medida que novos produtores de biometano e consumidores aderirem ao modelo. A estrutura regulada oferece previsibilidade tarifária e segurança jurídica tanto para a distribuidora quanto para os clientes, elementos essenciais para viabilizar contratos de longo prazo e atrair investimentos em novas plantas de produção.
A autorização da Arsesp pode servir de referência para outras agências reguladoras estaduais, ampliando o alcance do modelo para regiões com elevado potencial de produção de biometano a partir de resíduos agroindustriais, vinhaça, dejetos animais e lixo urbano. O estado de São Paulo concentra parte significativa da demanda industrial e de GNV do país, tornando-se um laboratório estratégico para testar a viabilidade comercial e operacional do modelo.
O que acompanhar nos próximos dias
Os principais pontos de atenção incluem a adesão de clientes industriais e postos de GNV ao modelo ‘Mercado Cativo Verde’, indicador direto da competitividade e atratividade comercial da proposta. A resposta do mercado de cogeração industrial, segmento intensivo em consumo de gás, será determinante para avaliar o ritmo de expansão do volume comercializado.
Outro aspecto relevante é o potencial de replicação do modelo em outras regiões do país, especialmente em estados com agências reguladoras ativas e infraestrutura de distribuição consolidada. A movimentação de novas distribuidoras e produtores de biometano em direção a estruturas reguladas similares pode sinalizar a consolidação de um novo padrão de mercado para biocombustíveis gasosos no Brasil.



