Um estudo internacional divulgado em 9 de setembro de 2026 demonstra que o biometano pode reduzir entre 45% e 75% das emissões de CO₂ no transporte pesado, considerando o ciclo completo poço-à-roda. A pesquisa “Biomethane for Transport Decarbonization”, encomendada pelo Instituto MBCBrasil e elaborada por pesquisadores de instituições como USP, Unifei, IAC e Instituto Mauá, traz evidências robustas sobre o papel do combustível na descarbonização do setor.
O levantamento aponta ainda que, em alguns projetos específicos, é possível alcançar um balanço net-negative, com emissões líquidas negativas de até –246% em relação ao diesel. Esse desempenho coloca o biometano como uma alternativa concreta para a redução de emissões em um segmento que enfrenta desafios estruturais para a eletrificação em larga escala.
Potencial brasileiro subutilizado
O estudo destaca que o Brasil tem capacidade de produzir aproximadamente 41,4 bilhões de m³ por ano de biometano apenas do setor sucroenergético. No entanto, atualmente o país aproveita menos de 2% desse potencial, segundo dados divulgados pela Abrema e pelo próprio Instituto MBCBrasil.
A diferença entre o potencial técnico e a produção efetiva evidencia uma lacuna de mercado que pode ser explorada por investidores e produtores interessados em projetos de economia circular. A utilização de resíduos do processamento de cana-de-açúcar para geração de biometano representa uma oportunidade de agregar valor à cadeia sucroenergética e ampliar a oferta de combustíveis renováveis para o transporte.
Implicações para o transporte pesado
O setor de transporte pesado no Brasil opera majoritariamente com diesel e enfrenta pressões crescentes por alternativas de menor impacto ambiental. A incorporação do biometano na matriz de combustíveis desse segmento depende de investimentos em infraestrutura de abastecimento, conversão de frotas e marcos regulatórios que incentivem a adoção em escala comercial.
A Lei do Combustível do Futuro e as discussões no âmbito do Comitê Gestor de Obrigações Biocombustíveis (CGOB) podem criar condições para que o biometano seja integrado de forma mais estruturada ao mercado de transporte. O estudo internacional oferece subsídios técnicos para que políticas públicas sejam desenhadas com base em dados concretos de desempenho ambiental.
Contexto de transição energética
A divulgação do estudo ocorre em um momento em que a transição energética avança em diferentes frentes no Brasil. O biometano se insere em uma estratégia mais ampla de economia circular, aproveitando resíduos agroindustriais e urbanos para a produção de energia renovável. A combinação de redução de emissões com o uso de substratos já disponíveis reforça a viabilidade econômica e ambiental do combustível.
Para empresas de transporte, tradings e produtores do setor sucroenergético, o estudo sinaliza uma janela de oportunidade para diversificação de receitas e posicionamento em um mercado em expansão. A participação de instituições acadêmicas reconhecidas confere credibilidade técnica às projeções apresentadas.
O que acompanhar nos próximos dias
Nos desdobramentos imediatos, vale observar se o estudo será incorporado em discussões regulatórias sobre incentivos ao biometano no transporte. Também é relevante acompanhar anúncios de novos projetos de produção no setor sucroenergético e eventuais movimentações de investidores interessados em escalar a oferta do combustível. A reação de operadoras de frotas e empresas de logística ao potencial de descarbonização apresentado pelo estudo pode indicar o ritmo de adoção prática da tecnologia no curto prazo.



