A Archer Daniels Midland (ADM) encerrou o terceiro trimestre de 2026 com lucro líquido de US$ 821 milhões, puxado pela recuperação expressiva das margens de biocombustíveis e pelo processamento de oleaginosas nos Estados Unidos. O desempenho marca uma virada significativa em relação ao ano anterior e levou a companhia a revisar para cima suas expectativas de ganho anual, reforçando o papel estratégico da bioenergia no portfólio da multinacional norte-americana.
Os números, divulgados no início de novembro, mostram que o lucro operacional consolidado dos segmentos saltou mais de 60% na comparação anual, atingindo US$ 1,38 bilhão. O lucro ajustado por ação avançou cerca de 90%, passando de US$ 0,92 para US$ 1,77, enquanto o lucro antes de impostos alcançou quase US$ 1 bilhão, ante US$ 147 milhões no mesmo período de 2025.
Oleaginosas e biodiesel lideram alta
A divisão de Serviços Agrícolas e Oleaginosas foi a protagonista do trimestre, dobrando seu lucro operacional para US$ 778 milhões. O esmagamento de grãos, atividade que alimenta diretamente a cadeia de biodiesel e óleo vegetal, viu seu resultado operacional saltar de US$ 13 milhões para US$ 311 milhões, beneficiado pela demanda firme por farelo de soja e por um ambiente regulatório favorável aos biocombustíveis.
Na América do Norte, a definição das obrigações de volume renovável (RVO) pelo governo dos Estados Unidos em março e a alta dos preços internacionais de energia criaram um cenário propício para o processamento voltado à produção de biodiesel. A ADM destacou que a demanda doméstica por biocombustíveis sustentou margens robustas ao longo do período.
Já na América do Sul, a companhia registrou volume recorde de esmagamento de soja no trimestre, embora tenha enfrentado pressão sobre as margens devido ao adiamento de mudanças na política brasileira de biocombustíveis — uma referência às incertezas regulatórias que marcaram o debate sobre o Combustível do Futuro e outras iniciativas no país.
O segmento de produtos refinados, que inclui biodiesel e óleos especiais, também brilhou: o lucro operacional subiu 82%, para US$ 218 milhões, com as margens de biodiesel na América do Norte contribuindo de forma decisiva para o resultado.
Etanol impulsiona carboidratos
A divisão de Soluções de Carboidratos, que engloba a produção de etanol de milho, amidos e adoçantes, viu seu lucro operacional crescer 40%, atingindo US$ 470 milhões. O etanol foi o grande motor desse desempenho: margens favoráveis, incentivos regulatórios e forte demanda doméstica nos Estados Unidos compensaram a retração em adoçantes líquidos.
A Vantage Corn Processors, joint venture focada em etanol, triplicou seu lucro operacional, passando de US$ 43 milhões para US$ 146 milhões. A ADM atribuiu o salto às margens robustas de etanol na América do Norte, apoiadas por incentivos governamentais e pelo aumento das exportações do biocombustível.
Esse movimento reflete a consolidação do etanol de milho como pilar de rentabilidade para a companhia, em um momento em que a transição energética e as políticas de descarbonização ampliam a demanda por combustíveis renováveis.
Projeção revisada e foco em bioenergia
Com base no desempenho do terceiro trimestre, a ADM elevou sua projeção de lucro ajustado por ação para 2026, passando de uma faixa entre US$ 5,15 e US$ 5,60 para valores entre US$ 5,50 e US$ 5,80. A revisão considera a expectativa de crescimento em todas as divisões no último trimestre do ano.
No acumulado de nove meses, o lucro operacional combinado dos segmentos atingiu US$ 3,6 bilhões, alta de quase 50%. O fluxo de caixa operacional antes de variações de capital de giro chegou a US$ 3 bilhões, ante US$ 2,1 bilhões no mesmo período de 2025.
Entre as prioridades de expansão, a companhia destacou o aumento da capacidade de esmagamento de oleaginosas e produção de etanol em unidades existentes, além do desenvolvimento de tecnologias de fermentação de precisão — uma aposta em biocombustíveis avançados e ingredientes sustentáveis.
A ADM também ajustou para baixo sua previsão de investimentos para 2026, reduzindo o intervalo de US$ 1,3 bilhão–US$ 1,5 bilhão para US$ 1,2 bilhão–US$ 1,3 bilhão, sinalizando maior disciplina de capital em meio à recuperação de margens.
Com biocombustíveis consolidados como vetor de crescimento, a ADM reforça sua posição como uma das principais beneficiárias da transição energética global, surfando a onda de políticas de descarbonização e demanda crescente por renováveis.



