A trajetória da Somar Engenharia, sediada em Marau (RS), ilustra como a engenharia nacional conquistou espaço estratégico na cadeia de biocombustíveis brasileira. Fundada em 2004 por Saulo Ramos, a companhia se especializou no desenvolvimento de soluções completas para plantas de extração de óleos vegetais e produção de biodiesel, consolidando-se como referência em tecnologia 100% brasileira e ampliando sua atuação para além das fronteiras nacionais.

Da primeira planta protótipo à consolidação no mercado

O marco inicial da empresa no segmento de biodiesel remonta a 2006, quando desenvolveu a primeira planta protótipo no Rio Grande do Sul, em parceria com a Oleoplan. Após validação técnica bem-sucedida, a unidade industrial foi construída em escala comercial no ano seguinte, permanecendo operacional até hoje. Esse projeto pioneiro abriu caminho para que a Somar acumulasse, ao longo de mais de duas décadas, experiência em cerca de vinte plantas de biodiesel equipadas com tecnologia própria, além de intervenções em dezenas de unidades que utilizam outras tecnologias.

A estrutura da empresa combina duas frentes complementares: a Somar Engenharia, responsável pelo projeto de processo, simulações termodinâmicas, balanços de massa e energia, especificações técnicas e supervisão de montagem; e a Somar Metalúrgica, que fabrica os equipamentos conforme os projetos desenvolvidos. Esse modelo verticalizado permite flexibilidade e personalização, atendendo desde plantas de menor porte até unidades que processam milhares de toneladas por dia.

Diferencial técnico e presença nacional

Entre os diferenciais técnicos destacados pela companhia estão a flexibilidade operacional para transitar entre diferentes matérias-primas, mantendo rendimentos competitivos e baixo consumo de catalisador; a transparência no processo, sem "caixas-pretas" que dificultem a identificação e correção de desvios de qualidade; e o suporte técnico contínuo pós-venda. A robustez dos processos desenvolvidos, aliada ao foco em projetos com zero efluente líquido, responde a demandas crescentes por sustentabilidade e eficiência no setor de biocombustíveis.

A presença da Somar se estende por mais da metade das unidades da federação, com projetos realizados em pelo menos catorze estados. No segmento de extração de óleos vegetais, a empresa entregou mais de dez plantas completas, incluindo unidades de grande capacidade — a maior delas processa cerca de cinco mil toneladas de grãos por dia. Reformas e retrofits em plantas de terceiros, com ganhos de performance, também integram o portfólio, abrangendo grandes grupos do agronegócio brasileiro.

Exportação de conhecimento e novos mercados

A engenharia brasileira desenvolvida pela Somar já ultrapassou fronteiras. Projetos foram implementados na Argentina, Paraguai, Polônia e Estados Unidos, demonstrando que o conhecimento nacional em bioenergia tem competitividade internacional. Essa inserção em mercados americano e europeu reforça a capacidade técnica da empresa e abre perspectivas para ampliação de contratos no exterior.

Com equipe de mais de sessenta profissionais e modelo de negócio enxuto, a companhia mantém ritmo de expansão. Projetos recentes incluem plantas de biodiesel e extração de oleaginosas em estados como Mato Grosso, Tocantins, Bahia, Goiás e Amazonas, além de unidades em fase de construção previstas para os próximos anos.

Perspectivas para o setor de biocombustíveis

A experiência acumulada pela Somar reflete o amadurecimento da indústria nacional de biodiesel e a importância da verticalização tecnológica para a competitividade do setor. Em um cenário de transição energética e valorização de fontes renováveis, o domínio de processos industriais eficientes, adaptáveis e sustentáveis torna-se ativo estratégico.

A capacidade de desenvolver projetos customizados, desde a concepção até a partida operacional, posiciona empresas como a Somar como parceiras essenciais para produtores de biocombustíveis que buscam maximizar rendimentos, reduzir custos e atender exigências ambientais cada vez mais rigorosas. O histórico de mais de duas décadas no mercado, com dezenas de plantas entregues e em operação, credencia a engenharia brasileira como exportadora de soluções em bioenergia, contribuindo para a consolidação do país como protagonista global na produção de combustíveis renováveis.