A Refinaria Duque de Caxias (Reduc), unidade da Petrobras localizada no Rio de Janeiro, conquistou em outubro um avanço significativo na produção de combustível sustentável de aviação (SAF), consolidando-se como referência em descarbonização no setor aeronáutico brasileiro. A recertificação internacional do produto revelou que mudanças na gestão de insumos resultaram em quedas expressivas na pegada de carbono do bioquerosene, colocando a refinaria entre as operações de menor intensidade de emissões no mercado global de SAF.
Auditoria internacional valida salto ambiental
O processo de recertificação, conduzido por auditores especializados em aviação sustentável, confirmou que a Reduc implementou melhorias estruturais na forma como gerencia as fontes de hidrogênio empregadas no processo produtivo. Esse hidrogênio é um insumo crítico na conversão de óleos vegetais em combustível de aviação, e a origem e o método de obtenção desse gás impactam diretamente a pegada de carbono final do SAF.
As mudanças operacionais permitiram reduzir em cerca de 29% a intensidade de carbono associada ao hidrogênio utilizado na planta. Esse ganho, por sua vez, se refletiu no desempenho ambiental do SAF produzido a partir de óleo de milho, cuja intensidade de carbono caiu aproximadamente 24%. O resultado posiciona o bioquerosene da Reduc entre os de melhor desempenho climático disponíveis comercialmente, reforçando a competitividade da Petrobras no segmento de combustíveis renováveis para aviação.
Além da matéria-prima: a importância do processo
A conquista da Reduc evidencia que a sustentabilidade do SAF não se limita à escolha de matérias-primas certificadas. Segundo a diretoria de Processos Industriais e Produtos da Petrobras, a redução das emissões depende também de um esforço contínuo de otimização de processos e de governança rigorosa sobre toda a cadeia de insumos.
Essa abordagem integrada — que combina rastreabilidade, certificação de origem e eficiência operacional — torna-se cada vez mais relevante diante das exigências regulatórias crescentes para o setor de aviação. A União Europeia, por exemplo, já estabeleceu metas progressivas de incorporação de SAF nos voos comerciais, e o Brasil caminha para regulamentações semelhantes, com incentivos previstos no arcabouço do RenovaBio e em discussões sobre mandatos específicos para bioquerosene.
Competitividade e mercado de baixo carbono
Ao aprimorar a eficiência ambiental de sua produção, a Petrobras amplia sua capacidade de atender a mercados internacionais que exigem certificações rigorosas e baixa intensidade de carbono. O SAF produzido na Reduc utiliza óleo de milho como matéria-prima, um coproduto da indústria de etanol de milho que tem ganhado escala no Brasil, especialmente no Centro-Oeste.
A integração entre a cadeia do etanol de milho e a produção de SAF ilustra o potencial de sinergia entre diferentes segmentos da bioenergia nacional. À medida que a oferta de óleos vegetais residuais e de segunda geração cresce, refinarias como a Reduc podem diversificar suas fontes e aprofundar a descarbonização, fortalecendo a posição do Brasil como fornecedor global de biocombustíveis avançados.
Perspectivas para a aviação sustentável no Brasil
A trajetória da Reduc sinaliza que o Brasil possui não apenas matéria-prima abundante, mas também capacidade técnica e industrial para produzir SAF de classe mundial. Com a expansão da demanda por combustíveis renováveis de aviação — impulsionada por compromissos climáticos e pela pressão de companhias aéreas e investidores —, a otimização contínua de processos e a certificação robusta tornam-se diferenciais competitivos essenciais.
A experiência da refinaria fluminense demonstra que a transição energética no setor aéreo passa pela inovação incremental, pela gestão criteriosa de insumos e pelo compromisso com padrões internacionais de sustentabilidade. Ao reduzir em quase um quarto a intensidade de carbono de seu SAF, a Reduc não apenas cumpre exigências ambientais, mas abre caminho para que o Brasil se consolide como protagonista na descarbonização da aviação global.



