A bioenergia originada do agronegócio brasileiro registrou expansão expressiva nos últimos anos, mas enfrenta o desafio de ampliar sua fatia na matriz energética nacional em um cenário de crescimento acelerado da demanda por energia. Dados do estudo "Oferta de Energia Renovável pelo Agronegócio", elaborado pela FGV Bioeconomia, revelam que a participação do setor oscilou entre 27% e 29% da oferta total entre 2022 e 2025, mesmo com ganhos significativos em volume absoluto.

Crescimento acelerado em volume absoluto

O levantamento aponta que a oferta de bioenergia proveniente do campo atingiu aproximadamente 98 milhões de toneladas equivalentes de petróleo (tep) em 2025, representando uma alta de 16% em relação a 2022. Esse desempenho superou tanto o ritmo de expansão das fontes não renováveis, que avançaram menos de 4% no período, quanto o conjunto formado por hidrelétricas, eólicas e solares, que cresceu cerca de 12%.

Em termos absolutos, a biomassa do agronegócio figura como a segunda fonte mais importante da matriz energética brasileira, ficando atrás apenas dos combustíveis fósseis, que somaram em torno de 166 milhões de tep no último ano analisado.

Diversificação de fontes impulsiona a bioenergia

O avanço da bioenergia no período recente foi sustentado por múltiplas frentes. A produção de etanol ganhou fôlego tanto pela destilação tradicional de cana-de-açúcar quanto pela crescente utilização do milho como matéria-prima. Paralelamente, a indústria de papel e celulose contribuiu com maior oferta de lixívia (licor negro), subproduto que se consolidou como fonte energética relevante.

Os óleos vegetais também registraram expansão, impulsionados pela política de aumento gradual da mistura de biodiesel ao diesel mineral. Esse conjunto de fontes – que inclui ainda bagaço de cana, biomassa de eucalipto, biogás e lenha de silvicultura – demonstra a diversidade da bioenergia do agronegócio brasileiro.

Participação estável em matriz em expansão

Apesar do crescimento robusto, a bioenergia do campo manteve sua participação relativa praticamente inalterada, oscilando entre 27% e 29% da oferta total de energia. Segundo especialistas, esse fenômeno reflete o aumento generalizado da demanda energética no país, puxado por fatores como crescimento da renda, automação industrial e novas tecnologias que exigem mais eletricidade, a exemplo da inteligência artificial.

O estudo destaca, porém, que todo o incremento da oferta energética brasileira nos últimos cinco anos foi atendido por fontes renováveis. Enquanto as não renováveis permaneceram praticamente estagnadas – saindo de aproximadamente 167 milhões de tep para cerca de 166 milhões –, as renováveis saltaram de algo em torno de 137 milhões para 162 milhões de tep, uma alta próxima a 19%.

Políticas públicas e diversificação setorial

Pesquisadores atribuem o desempenho da bioenergia ao conjunto de políticas públicas implementadas nos últimos anos, como o RenovaBio e os sucessivos aumentos da mistura de biodiesel. Essas medidas permitiram que a bioenergia mantivesse sua relevância mesmo em um contexto de forte expansão de eólica e solar, que também contam com incentivos governamentais.

O levantamento também revela a crescente diversificação dos setores que consomem bioenergia do agronegócio. Além da própria agroindústria – que utiliza mais de 80% de energia renovável em seus processos –, segmentos como siderurgia e produção de ferroligas já dependem de mais de 40% de bioenergia, seja na forma de biomassa sólida, biogás ou cogeração.

Perspectivas para 2025

A expectativa é de que a bioenergia do agronegócio continue expandindo em volume ao longo de 2025, mantendo sua participação relativa na casa dos 29%. A trajetória futura dependerá tanto da evolução do PIB nacional quanto da capacidade de novas políticas públicas ampliarem a competitividade da bioenergia frente a outras fontes renováveis em rápida expansão.