O Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (Idema) concedeu Licença de Instalação para uma unidade de produção de hidrogênio verde e amônia verde no município de São Gonçalo do Amarante. A planta terá capacidade projetada de aproximadamente 35,2 mil toneladas, conforme informações do Radar do Hidrogênio.

A aprovação da licença ambiental representa um avanço regulatório concreto na cadeia de combustíveis de baixo carbono no país. O documento permite que o empreendedor inicie as obras de construção da instalação industrial, etapa necessária para viabilizar a operação futura da unidade.

Alcance da licença e próximas etapas

A Licença de Instalação autoriza a construção do empreendimento de acordo com as condicionantes ambientais estabelecidas pelo órgão ambiental estadual. Trata-se de uma das três principais licenças do processo de licenciamento ambiental brasileiro, que inclui também a Licença Prévia e a Licença de Operação.

A capacidade projetada de 35,2 mil toneladas anuais posiciona a planta entre os projetos de escala industrial em desenvolvimento no Brasil. O hidrogênio verde é produzido pela eletrólise da água utilizando eletricidade de fontes renováveis, enquanto a amônia verde resulta da síntese desse hidrogênio com nitrogênio atmosférico, sem emissões diretas de carbono.

Relevância para descarbonização e cadeia industrial

A instalação de unidades de hidrogênio e amônia verdes no Rio Grande do Norte está diretamente relacionada às condições de geração de energia renovável da região. O estado possui potencial eólico e solar elevado, fatores que influenciam a viabilidade técnica e econômica de projetos intensivos em eletricidade como a eletrólise.

A amônia verde tem aplicações previstas tanto como combustível marítimo de baixo carbono quanto como vetor de transporte de hidrogênio para mercados internacionais. A substância pode ser armazenada e transportada em estado líquido sob condições menos exigentes que o hidrogênio puro, facilitando a logística de exportação.

Para o setor de bioenergia e combustíveis alternativos, o desenvolvimento dessa cadeia representa uma ampliação das opções de descarbonização para segmentos de difícil eletrificação, como navegação de longo curso e aviação, além de aplicações industriais em fertilizantes e química de base.

O que acompanhar nos próximos dias

Permanece em aberto a identificação do investidor ou grupo empresarial responsável pelo empreendimento, informação relevante para avaliar capacidade de execução e cronograma de implantação. Também será importante acompanhar o detalhamento das condicionantes ambientais estabelecidas pelo Idema e o cronograma previsto para início das obras.

A evolução do projeto até a fase de Licença de Operação dependerá do cumprimento das exigências técnicas e ambientais, da conclusão da construção e da entrada em operação dos sistemas de geração de energia renovável necessários para alimentar a unidade de eletrólise.