O Operador Nacional do Sistema Elétrico identificou ausência de capacidade remanescente para conexão de novas cargas elétricas em regiões de São Paulo nos próximos anos, um entrave que compromete diretamente a viabilidade de projetos de hidrogênio verde no estado. A informação foi destacada pela H2 Verde em publicação na rede social LinkedIn em 16 de outubro de 2026.

A limitação afeta não apenas a produção de hidrogênio de baixo carbono, mas também datacenters e outras indústrias eletrointensivas que disputam os mesmos pontos de acesso à rede. Segundo a H2 Verde, o gargalo de infraestrutura elétrica já precisa ser considerado desde a fase inicial de análise de viabilidade dos empreendimentos.

Competição por conexão elétrica e o impasse até 2029

A ausência de capacidade remanescente identificada pelo ONS estabelece um horizonte temporal claro: até 2029, novos projetos de grande consumo elétrico enfrentam restrições severas para conexão em pontos estratégicos do estado de São Paulo. Para a produção de hidrogênio verde — que depende de eletrólise alimentada por energia renovável —, essa limitação representa um obstáculo estrutural.

Plantas de eletrólise consomem volumes expressivos de eletricidade para separar moléculas de água e gerar hidrogênio. A competição por pontos de conexão coloca esses projetos em disputa direta com outros segmentos eletrointensivos, que também pressionam a rede em busca de capacidade disponível.

A H2 Verde, plataforma de radar energético especializada no tema, reforça que a indisponibilidade de conexão não é um problema futuro: trata-se de uma barreira presente, que exige planejamento antecipado e pode inviabilizar iniciativas que dependem de acesso garantido à infraestrutura elétrica.

Impacto sobre programas de hidrogênio e descarbonização

O entrave elétrico atinge em cheio iniciativas vinculadas a políticas públicas de estímulo ao hidrogênio de baixo carbono. Programas como o Rehidro e o Programa de Desenvolvimento do Hidrogênio de Baixo Carbono (PHBC) preveem incentivos para viabilizar a produção nacional, mas dependem de condições de infraestrutura que, segundo o ONS, não estão disponíveis em regiões estratégicas.

A ausência de capacidade de conexão não apenas adia cronogramas de implantação, mas pode forçar desenvolvedores a buscar alternativas em outras localidades, aumentando custos logísticos e de transmissão. Essa dinâmica reduz a competitividade de projetos que poderiam se beneficiar da proximidade com centros de demanda industrial em São Paulo.

A transição energética no Brasil conta com o hidrogênio verde como vetor central para descarbonizar setores de difícil eletrificação, como transporte pesado, aviação sustentável e indústria química. A limitação elétrica identificada pelo ONS expõe uma lacuna entre os objetivos de política energética e a capacidade real de infraestrutura para viabilizá-los.

O que acompanhar nos próximos dias

A atuação do ONS será acompanhada de perto pelo mercado de hidrogênio. Eventual anúncio de cronograma de expansão da rede ou mecanismo de alocação prioritária para novos projetos pode alterar o cenário de viabilidade. A articulação de órgãos como o Ministério de Minas e Energia, a Empresa de Pesquisa Energética e a Agência Nacional de Energia Elétrica será determinante para definir se haverá aceleração de investimentos em infraestrutura de transmissão voltada a viabilizar a eletrólise.

Desenvolvedores de projetos de hidrogênio verde devem monitorar eventuais diretrizes sobre expansão da capacidade de conexão, além de avaliar alternativas regionais que possam oferecer condições mais favoráveis. A ausência de soluções no curto prazo tende a pressionar a revisão de cronogramas e estratégias de implantação em todo o setor.