A Universidade Federal do Piauí conduz pesquisa para produção de combustível sustentável de aviação (SAF) utilizando rejeitos de pescados como matéria-prima. O projeto integra a Chamada CNPq/MCTI/FNDCT nº18/2022, vinculada ao Programa Combustível do Futuro e ao IBH2-MCTI, e foi divulgado pela instituição em 6 de outubro de 2026.

A iniciativa representa uma das primeiras tentativas brasileiras de incorporar resíduos da cadeia pesqueira à produção de combustíveis de aviação sustentáveis, combinando engenharia de processos, ciência de materiais e energia. O trabalho busca nacionalizar tecnologia produtiva e diversificar as fontes de matéria-prima para SAF no país, área ainda dominada por rotas baseadas em óleos vegetais e resíduos agroindustriais tradicionais.

Inserção em política nacional de combustíveis

O projeto da UFPI está diretamente alinhado ao Programa Combustível do Futuro, iniciativa do governo federal que busca estruturar a cadeia de combustíveis de baixo carbono no Brasil. O financiamento via FNDCT e CNPq reforça a prioridade dada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações ao desenvolvimento de rotas tecnológicas nacionais para SAF, reduzindo dependência de tecnologias externas e ampliando o aproveitamento de resíduos regionais.

A escolha de rejeitos de pescados como matéria-prima responde a dois desafios simultâneos: a necessidade de destinação adequada de resíduos orgânicos da indústria pesqueira e a busca por fontes lipídicas alternativas para a produção de biocombustíveis avançados. O potencial de escala dessa rota dependerá da disponibilidade regional de resíduos e da viabilidade técnica e econômica dos processos de conversão desenvolvidos.

Desafios técnicos e de escala

A transformação de óleos de resíduos de pescados em SAF envolve processos complexos de extração, purificação e conversão catalítica. A pesquisa da UFPI deverá avançar na validação dessas etapas em escala laboratorial antes de considerar testes piloto ou industriais. A viabilidade comercial dependerá não apenas da eficiência técnica, mas também da logística de coleta e processamento de resíduos dispersos geograficamente.

O contexto regulatório brasileiro para SAF ainda está em construção, com a tramitação do marco legal do Combustível do Futuro no Congresso Nacional. A definição de mandatos, incentivos fiscais e critérios de certificação de sustentabilidade será determinante para a viabilidade econômica de rotas inovadoras como a desenvolvida no Piauí.

Potencial de replicação e parcerias

A experiência da UFPI pode abrir caminho para o aproveitamento de outros resíduos regionais na produção de biocombustíveis avançados, especialmente em estados com forte atividade pesqueira. A integração de instituições de pesquisa, indústria pesqueira e setor de aviação será crucial para viabilizar a escala e a comercialização futura dessa tecnologia.

Eventuais parcerias com empresas de processamento de pescados, startups de bioenergia ou companhias aéreas interessadas em cumprir metas de descarbonização podem acelerar a transição da pesquisa acadêmica para aplicações comerciais. A participação em programas de fomento e a articulação com polos industriais regionais serão determinantes nessa trajetória.

O que acompanhar nos próximos dias

Publicações técnicas detalhando resultados preliminares da pesquisa e a eficiência de conversão dos óleos de resíduos de pescados. Eventuais anúncios de parcerias com instituições ou empresas para testes em escala piloto. Desdobramentos do Programa Combustível do Futuro e novas chamadas de financiamento voltadas a rotas alternativas de SAF. Avanços na tramitação do marco legal e impactos sobre a viabilidade de tecnologias nacionais. Iniciativas similares em outras regiões do país explorando resíduos locais para bioenergia.