A Transpetro realizou em 2 de julho de 2026, no porto de Roterdã, o primeiro abastecimento de navio com combustível marítimo B30 — óleo bunker com 30% de conteúdo renovável. A operação representa um avanço na escala de descarbonização da navegação marítima e consolida a presença da subsidiária da Petrobras no mercado europeu de combustíveis renováveis para o setor naval.
De acordo com informações do Estadão Conteúdo, a operação no principal hub logístico da Europa marca a evolução da estatal em relação aos testes realizados anteriormente. Em 2025, a Transpetro já havia conduzido operações com B24 — combustível contendo 24% de componente renovável — que registraram redução nas emissões de CO₂ comparadas ao bunker convencional.
Evolução da mistura e impacto ambiental
O salto de B24 para B30 indica a viabilidade técnica de misturas com maior proporção de componentes renováveis em operações de larga escala. A elevação de seis pontos percentuais na composição renovável do combustível marítimo exige validação operacional em motores navais, compatibilidade com sistemas de armazenamento e distribuição, além de atendimento a especificações internacionais de qualidade.
As operações com B24 realizadas em 2025 já haviam demonstrado queda mensurável nas emissões de dióxido de carbono, segundo o veículo. O aumento para 30% de conteúdo renovável tende a ampliar esse resultado, embora os dados específicos de redução de emissões com o B30 ainda não tenham sido divulgados.
Roterdã como base estratégica
A escolha do porto de Roterdã para o primeiro abastecimento com B30 reflete a importância do hub holandês no mercado de bunker e sua infraestrutura avançada para combustíveis alternativos. Roterdã concentra demanda significativa de armadores que buscam cumprir metas de descarbonização impostas pela Organização Marítima Internacional (IMO) e por regulações regionais europeias.
A presença da Transpetro nesse mercado permite à estatal testar formulações, coletar dados operacionais e atender clientes que demandam soluções de menor intensidade de carbono. A operação também serve de referência técnica para eventual adoção de misturas semelhantes em outros portos, inclusive no Brasil.
Perspectivas para o mercado brasileiro
Documentos técnicos da Petrobras sobre bunker sustentável indicam que a empresa possui capacidade de fornecimento de combustíveis renováveis para navegação, mas a escalada comercial no mercado doméstico depende de fatores regulatórios, logísticos e de demanda.
A experiência acumulada em Roterdã com B24 e B30 oferece subsídios técnicos para avaliar a viabilidade de operações semelhantes em portos brasileiros, onde a Transpetro detém presença consolidada. A adoção de combustíveis marítimos com maior conteúdo renovável no Brasil poderia atender tanto a frotas nacionais quanto a navios de bandeira estrangeira que buscam reduzir sua pegada de carbono em rotas que passam pelo país.
O que acompanhar nos próximos dias
O monitoramento deve focar a divulgação de dados operacionais e de emissões da operação com B30, a eventual expansão de abastecimentos com essa mistura em outros portos europeus e sinalizações da Transpetro sobre testes ou oferta comercial de B30 no Brasil. Também será relevante observar a resposta de armadores internacionais à disponibilidade de misturas mais renováveis e eventuais ajustes regulatórios que facilitem a adoção de combustíveis marítimos sustentáveis em escala.



