O estado de São Paulo firmou um aporte de R$ 5 milhões com a Swedfund, agência de investimentos em desenvolvimento da Suécia, para financiar estudos técnicos voltados à expansão do biometano em dois polos produtivos. O anúncio foi realizado durante o evento Conecta Biometano SP, em Ribeirão Preto, em 15 de outubro. Na mesma ocasião, o governo paulista apresentou o projeto Corredor Verde, que prevê a operação de 100 caminhões movidos a biometano até dezembro de 2026, estabelecendo uma rota logística dedicada ao combustível renovável no território estadual.

Os recursos da Swedfund serão direcionados a estudos técnicos nas regiões de Ribeirão Preto e Araçatuba, conforme informações da plataforma Energia e Biogás. As análises devem mapear capacidade instalada, potencial de ampliação das plantas existentes e condições de infraestrutura para abastecimento. São Paulo concentra 9 das 21 plantas de biometano em operação no Brasil, com capacidade conjunta de 700 mil metros cúbicos por dia, posicionando o estado como principal produtor nacional do combustível.

Corredor Verde articula produção e mobilidade

O projeto Corredor Verde representa uma tentativa de conectar a oferta de biometano paulista à demanda por combustível no setor de transporte de carga. A iniciativa prevê a operação de 100 caminhões movidos a biometano até o fim de 2026, exigindo a instalação ou adequação de pontos de abastecimento ao longo das rotas definidas. O cronograma de ativação da frota e dos postos não foi detalhado durante o evento, mas a meta de dezembro estabelece um prazo de dois meses a partir da data do anúncio.

A viabilidade do projeto depende da coordenação entre produtores de biometano, transportadoras e fornecedores de infraestrutura de abastecimento. A concentração de plantas no interior paulista, especialmente nas regiões de Ribeirão Preto e Araçatuba, facilita o acesso ao combustível, mas exige investimentos em compressão, armazenamento e distribuição para atender uma frota em operação comercial contínua.

Estudos técnicos devem delimitar capacidade de expansão

Os R$ 5 milhões da Swedfund financiarão diagnósticos técnicos que incluem avaliação de resíduos disponíveis, capacidade de processamento das plantas e demanda regional por biometano. Ribeirão Preto e Araçatuba concentram atividades agroindustriais que geram vinhaça, torta de filtro e resíduos de agroindústria, matérias-primas prioritárias para produção de biogás e, após tratamento, de biometano.

A definição de rotas tecnológicas, custos de purificação e requisitos de qualidade para injeção em redes ou uso veicular fazem parte do escopo esperado dos estudos. A Swedfund atua em mercados emergentes com foco em projetos de infraestrutura e energia limpa, e o aporte em São Paulo representa uma aposta na capacidade do estado de escalar a produção de biometano para além do uso local.

Setor de transporte avalia adesão ao combustível

A resposta do setor de transporte de carga ao Corredor Verde dependerá da disponibilidade de veículos compatíveis, da estabilidade no fornecimento de biometano e da competitividade econômica frente ao diesel. Caminhões movidos a gás natural comprimido podem ser adaptados para biometano sem grandes modificações, mas a oferta de modelos e o custo de aquisição ainda representam barreiras para frotas comerciais.

A operação de 100 caminhões exige volume diário de biometano da ordem de dezenas de milhares de metros cúbicos, conforme o consumo médio de veículos pesados. A capacidade instalada de 700 mil metros cúbicos por dia em São Paulo permite atender essa demanda, mas a prioridade de uso entre transporte, indústria e injeção em redes de distribuição ainda precisa ser equacionada.

O que acompanhar nos próximos dias

O cronograma de ativação dos 100 caminhões e dos pontos de abastecimento do Corredor Verde até dezembro de 2026 será o primeiro indicador da viabilidade operacional do projeto. A divulgação dos resultados dos estudos técnicos em Ribeirão Preto e Araçatuba, financiados pela Swedfund, deve trazer dados sobre capacidade de expansão e custos de produção. A adesão de transportadoras e a manifestação de interesse de fabricantes de veículos pesados para fornecimento de frotas movidas a biometano completam o conjunto de variáveis que determinará o alcance da iniciativa paulista.