O setor de biodiesel aguarda a definição do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) sobre o aumento da mistura obrigatória de biodiesel no diesel para 16%, o chamado B16. Segundo informações da Agência Infra, o governo sinalizou a possibilidade de implementação do novo percentual ainda em 2026, dando sequência ao cronograma de ampliação da participação do biocombustível na matriz de transportes do país.
A sinalização ganha relevância porque o B15 está em vigor desde 1º de agosto de 2025, conforme estabelecido pela Resolução CNPE nº 9/2025. O movimento para o B16 representa o próximo passo esperado pelo mercado para ampliação da produção interna de biodiesel, com impactos diretos sobre usinas, transportadores e fabricantes de motores.
Movimentações técnicas e regulatórias
A discussão sobre o B16 ganhou força após a consolidação do B15. Informações do portal Combustíveis ANP, atualizadas em 2 de outubro de 2026, indicam que estudos técnicos sobre a viabilidade do novo percentual estão em andamento, incluindo análises sobre os impactos para fabricantes de motores. A pauta mobiliza diferentes elos da cadeia produtiva, desde produtores de matérias-primas até empresas de logística e distribuição de combustíveis.
O CNPE é o órgão responsável por definir os percentuais de mistura obrigatória no país, e a expectativa do setor é que o conselho marque uma deliberação formal sobre o B16 nos próximos meses. A implementação de um novo percentual exige não apenas viabilidade técnica, mas também coordenação entre diferentes ministérios e agências reguladoras.
Impactos para a cadeia produtiva
O aumento da mistura obrigatória de biodiesel tem efeito direto sobre a demanda por matérias-primas como soja, gordura animal e outros óleos vegetais utilizados na produção do biocombustível. Usinas de biodiesel acompanham de perto as sinalizações do governo, uma vez que a elevação do percentual pode demandar investimentos em capacidade produtiva e logística.
Para o setor de transportes, a mudança representa a necessidade de acompanhamento técnico sobre o desempenho dos motores e eventuais adaptações. Fabricantes de veículos e motores também participam das discussões, avaliando os impactos da nova mistura sobre a durabilidade e eficiência dos equipamentos.
Tradings e distribuidoras de combustíveis monitoram o tema para ajustar suas operações de compra, armazenamento e distribuição, enquanto investidores avaliam as oportunidades de expansão no segmento de biodiesel, considerando o potencial de crescimento da demanda.
O que acompanhar nos próximos dias
Os agentes do mercado devem ficar atentos à agenda do CNPE para identificar quando a deliberação formal sobre o B16 será realizada. A divulgação de estudos técnicos sobre a viabilidade do novo percentual também será um indicador importante para avaliar o cronograma de implementação.
Além disso, é relevante observar as manifestações de fabricantes de motores e associações do setor de transportes sobre eventuais adaptações necessárias. A coordenação entre os diferentes elos da cadeia será determinante para o sucesso da transição, caso o aumento seja aprovado.
A movimentação em torno do B16 consolida a trajetória de crescimento da participação do biodiesel na matriz energética brasileira, reforçando o papel estratégico do biocombustível na política de mobilidade terrestre e na descarbonização do setor de transportes.



