O estado de São Paulo projeta atingir uma capacidade instalada de biometano de 1 milhão de metros cúbicos por dia até 2027, partindo dos atuais cerca de 676 mil m³/dia autorizados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A meta foi divulgada em 16 de setembro de 2026 pela secretária Natália Resende, segundo a CNN Brasil, e representa um salto de aproximadamente 50% na capacidade do estado no período.

A projeção coloca São Paulo na dianteira da expansão do biometano no país e sinaliza um alinhamento entre políticas públicas estaduais, regulação federal e a dinâmica de investimentos privados no setor. O biometano, obtido a partir da purificação do biogás gerado por resíduos orgânicos, efluentes e biomassa, vem ganhando tração como substituto renovável do gás natural fóssil, com aplicações em transporte, indústria e geração distribuída de energia.

Significado para o mercado

A expansão projetada tem impacto direto sobre produtores, desenvolvedores de projetos e distribuidoras de gás. Com a capacidade autorizada pela ANP em cerca de 676 mil m³/dia, o crescimento para 1 milhão de m³/dia até 2027 exigirá a entrada em operação de novos empreendimentos, ampliação de plantas existentes e aceleração dos processos de licenciamento e conexão à infraestrutura de gás.

Para o setor de resíduos e economia circular, a meta reforça a importância da valorização energética de resíduos agroindustriais, urbanos e de saneamento. O biometano se consolida como vetor de descarbonização e geração de receitas complementares em atividades como suinocultura, avicultura, laticínios e aterros sanitários.

Empresas que operam ou planejam plantas de biometano em São Paulo devem observar atentamente os desdobramentos regulatórios e logísticos necessários para viabilizar a meta. A interface entre a ANP, que autoriza a operação de unidades de biometano, e as políticas estaduais de fomento será determinante para o ritmo de expansão.

Contexto regulatório e de infraestrutura

A concretização da meta depende de avanços em múltiplas frentes. Do ponto de vista regulatório, o papel da ANP na autorização de novas unidades e na fiscalização da qualidade do biometano injetado na rede ou comercializado é central. No plano estadual, políticas de incentivo, desburocratização de licenças ambientais e apoio à conexão com gasodutos regionais serão fundamentais.

A logística de escoamento do biometano, especialmente para projetos em regiões mais distantes da malha de gasodutos, também é um fator crítico. Soluções como o transporte em cilindros pressurizados (biometano comprimido) ou a liquefação (bio-GNL) podem viabilizar projetos em áreas sem acesso direto à rede.

O que acompanhar nos próximos dias

Investidores e executivos do setor devem monitorar os desdobramentos das políticas públicas paulistas para viabilizar a expansão, incluindo eventuais programas de financiamento, incentivos fiscais ou convênios com a ANP e órgãos ambientais. A publicação de editais, chamadas públicas ou marcos regulatórios complementares será um indicador da velocidade de execução da meta.

Também será relevante acompanhar os anúncios de novos projetos de biometano em São Paulo, sejam greenfield ou ampliações, e as estratégias de empresas produtoras e distribuidoras de gás para capturar a demanda crescente. A reação de tradings, fundos de infraestrutura e players internacionais à meta paulista pode sinalizar o apetite de capital para o setor nos próximos trimestres.