Santa Catarina receberá um Atlas de Bioenergia, com investimento de R$ 5 milhões, para mapear o potencial de geração energética — incluindo biogás e biometano — a partir de resíduos. O anúncio do projeto foi feito em 16 de outubro de 2026, conforme informações do portal Biometano, e representa um passo para identificar oportunidades de aproveitamento de resíduos orgânicos no estado.

O objetivo central do Atlas é quantificar o potencial energético de diferentes tipos de resíduos disponíveis em Santa Catarina, fornecendo uma base de dados técnica para orientar políticas públicas, decisões de investimento e projetos de economia circular. O mapeamento reunirá informações sobre resíduos da agroindústria, dejetos animais, lixo urbano e efluentes industriais, identificando onde há concentração de matéria-prima e viabilidade para instalação de plantas de biogás e unidades de purificação de biometano.

Alcance do investimento e estrutura do projeto

O investimento de R$ 5 milhões será aplicado na coleta de dados primários, modelagem do potencial energético e elaboração de mapas e relatórios técnicos. O Atlas permitirá identificar regiões prioritárias, estimar a capacidade instalável de geração e avaliar condições logísticas para escoamento do biometano produzido.

Santa Catarina concentra atividades agropecuárias intensivas, com destaque para suinocultura, avicultura e processamento de alimentos, setores que geram volumes expressivos de resíduos orgânicos. O mapeamento detalhado desses resíduos pode apoiar tanto a instalação de plantas descentralizadas quanto a estruturação de corredores de biometano para abastecimento de frotas e injeção em redes de gás natural.

Contexto para o setor de biogás e biometano

O desenvolvimento de atlas energéticos regionais atende à necessidade de informação técnica estruturada para reduzir incertezas em projetos de bioenergia. A ausência de dados consolidados sobre disponibilidade, sazonalidade e distribuição espacial de resíduos dificulta a modelagem financeira de empreendimentos e a definição de rotas de coleta e tratamento.

Além disso, o mapeamento permite identificar sinergias entre diferentes fontes de resíduos, avaliar a viabilidade de sistemas consorciados e antecipar desafios logísticos. Para investidores e operadores de plantas, o Atlas pode funcionar como ferramenta de pré-viabilidade, acelerando estudos e reduzindo custos de prospecção.

Impacto para políticas regionais e economia circular

O Atlas de Bioenergia pode subsidiar políticas estaduais de gestão de resíduos, permitindo que municípios identifiquem alternativas ao aterramento e à disposição inadequada de dejetos. A geração de biogás e biometano a partir de resíduos orgânicos contribui para a redução de emissões de metano, aproveitamento de nutrientes em digestato e criação de receitas adicionais para produtores rurais e gestores de resíduos urbanos.

O projeto também pode orientar programas de fomento e linhas de financiamento, ao identificar territórios com maior potencial de retorno e condições adequadas de infraestrutura. A integração do Atlas com planos municipais de saneamento e gestão ambiental fortalece a economia circular e amplia a segurança energética regional.

O que acompanhar nos próximos dias

Os pontos centrais a observar incluem a divulgação do cronograma de execução do Atlas, as entidades responsáveis pela coordenação técnica do mapeamento e o prazo previsto para entrega dos resultados. Também será relevante acompanhar se haverá integração do Atlas com bases de dados nacionais, como o Plano Nacional de Biogás, e se o projeto preverá atualização periódica dos dados.

A identificação de parceiros técnicos, universidades e instituições de pesquisa envolvidas no levantamento, bem como a metodologia adotada para estimativa do potencial energético, definirá a qualidade e a aplicabilidade prática do instrumento para o mercado de biogás e biometano em Santa Catarina.