A Refinaria Duque de Caxias (Reduc), da Petrobras, foi autorizada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) a produzir Diesel R com 8,5% de conteúdo renovável. A autorização, concedida em agosto de 2026, marca a transição de uma das refinarias mais tradicionais do país — com 65 anos de operação — para a pauta de combustíveis de baixo carbono, sem interrupção das atividades convencionais.

Além do Diesel R, a refinaria localizada em Duque de Caxias, no estado do Rio de Janeiro, também passou a produzir combustível sustentável de aviação (SAF). Segundo informações publicadas pelo portal Click Petróleo e Gás, a unidade já produziu 3,8 milhões de litros de SAF. A Petrobras prevê investimentos de US$ 402 milhões em projetos de combustíveis renováveis até 2030.

Transição de refinaria convencional para biocombustíveis

A mudança de perfil da Reduc demonstra como refinarias convencionais podem se adaptar à produção de combustíveis renováveis mantendo suas operações principais. O Diesel R, que incorpora frações renováveis ao diesel convencional, representa uma alternativa para reduzir a pegada de carbono do transporte de cargas e passageiros sem exigir modificações na frota existente ou na infraestrutura de distribuição.

A autorização da ANP para a produção com 8,5% de conteúdo renovável coloca a Reduc em linha com as tendências globais de descarbonização do setor de transportes. A estratégia da Petrobras de adaptar refinarias existentes, em vez de construir novas plantas dedicadas, pode reduzir custos de capital e acelerar a disponibilidade de combustíveis de menor emissão no mercado brasileiro.

Impactos para o mercado de diesel renovável

A entrada da Petrobras na produção de Diesel R por meio de uma refinaria de grande porte tende a aumentar a oferta do produto no mercado nacional. Para produtores de matérias-primas renováveis — como óleo de soja, sebo bovino e óleo de palma —, a demanda por insumos para a produção de diesel renovável pode crescer de forma relevante nos próximos anos, especialmente se outras refinarias da estatal seguirem o mesmo caminho.

O investimento projetado de US$ 402 milhões até 2030 indica que a Petrobras pretende escalar a produção tanto de Diesel R quanto de SAF. Esse movimento coloca a empresa em competição direta com produtores independentes de diesel renovável e HVO (óleo vegetal hidrotratado), que vinham ocupando esse espaço de mercado com plantas menores e mais especializadas.

Combustível de aviação sustentável ganha tração

A produção de 3,8 milhões de litros de SAF pela Reduc também sinaliza o avanço da Petrobras em um mercado ainda incipiente no Brasil, mas com forte demanda projetada globalmente. O SAF é visto como peça-chave para a descarbonização da aviação comercial, setor que enfrenta dificuldades técnicas e econômicas para eletrificar suas operações.

A capacidade de produzir SAF em uma refinaria convencional pode conferir à Petrobras vantagem competitiva, ao aproveitar infraestrutura existente e sinergias operacionais. No entanto, o custo de produção e a viabilidade econômica do SAF ainda são desafios a serem equacionados, especialmente diante da competição com combustível de aviação convencional, mais barato.

O que acompanhar nos próximos dias

O mercado deve observar os planos da Petrobras para expandir a produção de Diesel R e SAF em outras refinarias do sistema. A viabilidade econômica dessas operações, incluindo margens e custos de matéria-prima renovável, será determinante para avaliar se a estratégia será replicada em maior escala.

Também merece atenção a reação de concorrentes, como produtores independentes de diesel renovável e de HVO, diante da entrada de um player de grande porte como a Petrobras. Por fim, a evolução dos investimentos previstos até 2030 e o ritmo de crescimento da oferta de combustíveis renováveis no país serão indicadores-chave da transição energética no setor de transportes brasileiro.