O Itaú BBA estima que o setor de etanol de milho em Mato Grosso demandará entre R$ 7,6 bilhões e R$ 14,3 bilhões em investimentos para plantio de eucalipto até 2030. A projeção, divulgada pela instituição financeira, considera diferentes cenários de eficiência energética das unidades de cogeração que operam acopladas às usinas produtoras de etanol de milho no estado.

O volume expressivo de recursos reflete a necessidade crescente de biomassa para alimentar os sistemas de cogeração de energia que sustentam a operação das plantas industriais. O etanol de milho se expandiu rapidamente em Mato Grosso nos últimos anos, impulsionado pela disponibilidade de matéria-prima e pela infraestrutura logística da região, consolidando o estado como principal polo dessa indústria no país.

Retorno financeiro e modelos de cogeração

Segundo o Itaú BBA, a taxa interna de retorno estimada para o investimento em plantio de eucalipto destinado a esse mercado é de 17%. Esse indicador posiciona o segmento florestal voltado à bioenergia como uma alternativa atrativa para investidores do setor de biocombustíveis e de ativos de longo prazo.

A amplitude da estimativa — que varia em quase R$ 7 bilhões entre o cenário mais conservador e o mais otimista — depende diretamente do nível de eficiência energética adotado pelas usinas. Plantas com cogerações mais eficientes consomem menor volume de biomassa por unidade de energia produzida, reduzindo a área necessária de eucalipto e, consequentemente, o montante de investimento requerido.

Impactos sobre o mercado florestal e energético

A projeção do banco sinaliza uma movimentação expressiva de capital em direção ao setor florestal mato-grossense, com potencial de reorganizar a cadeia de fornecimento de biomassa na região. Usinas de etanol de milho tradicionalmente dependem de resíduos agrícolas e de fontes diversas de lenha, mas a escala de crescimento do setor tem pressionado a estruturação de modelos integrados de produção florestal.

A demanda por eucalipto também tende a afetar o mercado de terras, a logística de transporte de biomassa e a dinâmica de uso do solo em Mato Grosso, estado que já enfrenta pressões ambientais e regulatórias relacionadas ao desmatamento e à conversão de áreas. A expansão do plantio florestal, embora voltada a fins industriais e energéticos, deverá ser acompanhada de perto por órgãos reguladores e pela sociedade civil.

Setor financeiro e linhas de crédito

A análise do Itaú BBA indica que o setor financeiro identifica oportunidade de estruturação de operações de crédito e financiamento de longo prazo para viabilizar os aportes necessários. Fundos de investimento em ativos florestais, linhas de crédito rural e mecanismos de descarbonização podem ser mobilizados para apoiar a implantação dos projetos.

A atratividade financeira do eucalipto voltado à bioenergia também pode acelerar a entrada de novos players no segmento, incluindo grupos florestais tradicionais, usinas integradas verticalmente e fundos especializados em ativos reais.

O que acompanhar nos próximos dias

Os desdobramentos esperados incluem a reação de grandes usinas de etanol de milho, que podem anunciar planos de expansão ou parcerias para garantir o fornecimento de biomassa. A movimentação de instituições financeiras na estruturação de linhas de crédito específicas para o setor florestal também deve ser observada. Além disso, as implicações ambientais e regulatórias relacionadas ao aumento da área plantada com eucalipto em Mato Grosso devem ganhar protagonismo no debate setorial, especialmente em relação ao licenciamento ambiental e à conformidade com o Código Florestal.