A COFCO International realizou o primeiro embarque de biodiesel B100 por modal ferroviário no Brasil, transportando 400 mil litros entre Rondonópolis (MT) e Paulínia (SP). A operação, concluída em 5 de outubro de 2026, representa um marco na logística de biocombustíveis do país, ao adicionar a ferrovia aos modais rodoviário e dutoviário tradicionalmente utilizados para escoamento do produto.

O carregamento partiu da unidade da COFCO em Rondonópolis, no coração do Mato Grosso — estado que consolidou posição de liderança na produção de matérias-primas para biodiesel, como soja e sebo bovino. O descarregamento foi realizado no terminal da OPLA, em Paulínia, hub estratégico de distribuição de combustíveis no interior paulista.

Diversificação modal e eficiência logística

A iniciativa insere-se em um movimento mais amplo de otimização da cadeia de escoamento de biocombustíveis. Segundo informações divulgadas pela CNN Brasil e pelo portal BiodieselBR, a COFCO pretende investir em infraestrutura ferroviária e avaliar novas rotas para o transporte de B100, buscando ganhos de eficiência e redução de custos operacionais.

O modal ferroviário oferece vantagens comparativas importantes: maior capacidade de carga por viagem, menor custo por quilômetro rodado em longas distâncias e, sobretudo, pegada de carbono significativamente inferior à do transporte rodoviário. Para um setor que comercializa produtos com apelo ambiental, a coerência logística reforça o posicionamento de mercado.

Impacto na cadeia de valor do biodiesel

A operação ferroviária de biodiesel B100 abre precedente para outras usinas e tradings avaliarem a viabilidade do modal em suas redes de distribuição. Produtores no Centro-Oeste, distantes dos principais centros consumidores e portos, enfrentam gargalos logísticos que pressionam margens e limitam competitividade. A diversificação modal pode aliviar parte dessas restrições.

Além disso, a redução de emissões associada ao transporte ferroviário alinha-se às metas de descarbonização que grandes compradores corporativos e governos vêm exigindo de suas cadeias de fornecimento. Tradings e distribuidoras que conseguirem demonstrar menor pegada de carbono em toda a cadeia — da produção agrícola à entrega final — tendem a capturar prêmios de preço e acesso privilegiado a mercados mais exigentes.

Contexto de mercado e infraestrutura

O Brasil possui uma malha ferroviária ainda subutilizada para o escoamento de líquidos e biocombustíveis, embora o modal seja amplamente empregado para grãos, farelo e açúcar. A experiência da COFCO pode sinalizar viabilidade técnica e econômica, estimulando investimentos privados e eventuais parcerias com concessionárias ferroviárias.

Paulínia concentra infraestrutura de refino, armazenagem e distribuição de combustíveis, conectando-se a dutos e terminais que abastecem o mercado interno e exportações. A chegada de B100 por ferrovia diversifica as opções de abastecimento do hub, reduzindo dependência do modal rodoviário em períodos de alta demanda ou restrições operacionais.

O que acompanhar nos próximos dias

Observar se outras usinas e tradings anunciarão testes ou contratos ferroviários para biodiesel, ampliando o precedente aberto pela COFCO. Acompanhar eventuais comunicados da companhia sobre investimentos em terminais de transbordo ou parcerias com concessionárias ferroviárias. Monitorar o comportamento de custos de frete e prêmios de sustentabilidade associados a embarques de menor pegada de carbono. Por fim, avaliar se distribuidoras e grandes consumidores passarão a demandar origem logística certificada como critério de compra, pressionando toda a cadeia a repensar suas redes de escoamento.