A Bioo concluiu a estruturação financeira para sua segunda planta de biometano no Brasil, localizada em Toledo, no Paraná. A captação de recursos envolve participação acionária do BNDESPAR e financiamento via Fundo Clima, além de outras linhas de crédito, segundo publicação da BIP – Plataforma Brasil no LinkedIn. O CAPEX estimado para a unidade é de aproximadamente R$ 200 milhões, seguindo o padrão da primeira planta da empresa.
A operação combina equity e dívida para viabilizar o projeto, cuja operação comercial está prevista para 2028. A Bioo já opera uma unidade de biometano em Triunfo, no Rio Grande do Sul, em funcionamento desde 2025 e com fornecimento contratado para a Sulgás, distribuidora estadual de gás natural.
Estrutura de capital e papel do BNDES
A participação do BNDESPAR como investidor em equity sinaliza o interesse do braço de participações do banco de desenvolvimento em estruturar o capital de base de projetos de biometano de escala industrial no país. O Fundo Clima, gerido pelo BNDES e voltado ao financiamento de iniciativas de mitigação de emissões de gases de efeito estufa, entra na estrutura como fonte de dívida de longo prazo.
O modelo de financiamento adotado pela Bioo para a planta de Toledo reflete a busca por diversificação de fontes de capital em projetos de infraestrutura de biogás e biometano, setor que ainda enfrenta desafios de escala e maturação de contratos de offtake no mercado brasileiro. A combinação de recursos públicos e privados tem sido estratégia recorrente em projetos de maior porte no segmento.
Expansão territorial e contexto de mercado
A escolha de Toledo como localização para a segunda unidade posiciona a Bioo em uma região de forte produção agropecuária, com ampla disponibilidade de resíduos orgânicos para alimentação de biodigestores. O Paraná concentra parte significativa da produção de suínos, aves e resíduos agroindustriais do país, matérias-primas essenciais para a viabilidade econômica de plantas de biometano.
A expansão da Bioo ocorre em momento de crescimento do interesse por biometano no Brasil, impulsionado por metas de descarbonização, políticas públicas de incentivo a combustíveis renováveis e pela busca de alternativas ao gás natural de origem fóssil. A operação prevista para 2028 também se alinha ao prazo de maturação típico de projetos dessa natureza, que exigem licenciamento ambiental, aprovação regulatória e construção de infraestrutura de captação e processamento.
Desafios e pontos de observação
Apesar do avanço na estruturação financeira, o projeto de Toledo ainda demanda etapas críticas. O detalhamento do valor exato captado em cada linha de financiamento — equity via BNDESPAR e dívida via Fundo Clima e outras fontes — não foi divulgado, assim como informações sobre eventuais contratos de offtake já firmados com distribuidoras ou consumidores finais.
O cronograma de aprovação regulatória e licenciamento ambiental será determinante para a confirmação do prazo de início de operação. Além disso, a capacidade da Bioo de replicar o modelo operacional de Triunfo em Toledo, mantendo rentabilidade e eficiência, será observada de perto por investidores e agentes do setor.
O que acompanhar nos próximos dias
Os desdobramentos do projeto incluem a divulgação de detalhes sobre o valor captado em cada linha de financiamento e a composição final da estrutura de capital. Outro ponto relevante é o avanço no licenciamento ambiental e nas aprovações regulatórias necessárias para o início das obras em Toledo.
A eventual assinatura de contratos de offtake com distribuidoras de gás natural ou consumidores industriais será indicador importante da viabilidade comercial da planta. Por fim, a execução do cronograma até 2028 e possíveis novas captações para expansão do portfólio da Bioo devem ser acompanhadas como sinais da consolidação da empresa no mercado brasileiro de biometano.



