O governo federal deve lançar ainda em setembro um plano para testar a gasolina com 35% de etanol anidro, o chamado E35. A informação foi divulgada pela Fecombustíveis no início do mês e representa a continuidade do movimento regulatório que elevou o teor de mistura para E30 nos últimos anos. A proposta é impulsionada pela demanda por descarbonização e pelo aproveitamento do potencial produtivo do etanol brasileiro.
O aumento da mistura de etanol anidro na gasolina comum é tema estratégico para o setor sucroenergético. Com a possibilidade de elevar o teor de 30% para 35%, usinas, tradings e produtores de cana-de-açúcar podem ter acesso a um mercado cativo ampliado, com impactos diretos sobre volumes de produção, preços e margens operacionais.
Contexto regulatório e impactos esperados
A sequência regulatória que levou à adoção do E30 foi marcada por debates técnicos sobre compatibilidade de motores, desempenho dos veículos e impactos ambientais. Agora, a proposta de testar o E35 amplia essa discussão e coloca o Brasil em posição de vanguarda no uso de biocombustíveis na matriz de transportes.
A elevação do teor de mistura pode alterar a competitividade do etanol no mercado interno, influenciando a alocação de matéria-prima entre açúcar e etanol pelas usinas. Também há expectativa de que o aumento da demanda por etanol anidro pressione os estoques e impacte a formação de preços ao longo da entressafra.
Para a cadeia sucroenergética, representada por entidades como a UNICA, o movimento pode significar maior previsibilidade de demanda e incentivo à ampliação da capacidade produtiva. No entanto, questões logísticas e de infraestrutura de distribuição precisarão ser equacionadas para viabilizar a nova mistura em escala nacional.
Reações e próximos passos
Ainda não há detalhes oficiais sobre o formato do plano de testes, se haverá consulta pública ou se a regulamentação será definitiva. A ausência de informações sobre prazos, regiões piloto e cronograma de implementação mantém o mercado atento aos próximos anúncios do governo.
A reação da cadeia sucroenergética será determinante para avaliar a viabilidade técnica e econômica da medida. Usinas e tradings devem se posicionar sobre os impactos esperados na produção, na logística de distribuição e nas margens do etanol anidro. A capacidade instalada do setor e os níveis de estoque também serão fatores críticos na absorção de uma eventual demanda adicional.
O que acompanhar nos próximos dias
O mercado deve observar se haverá consulta pública ou regulamentação definitiva sobre o E35, bem como a reação de entidades representativas da cadeia sucroenergética, como UNICA e associações de usinas. Impactos esperados sobre preços e margens do etanol, além da gestão de estoques, serão variáveis centrais para operadores e investidores. A definição de prazos e regiões piloto também trará sinais sobre a velocidade de implementação da medida e seus efeitos sobre a oferta e a demanda de etanol no mercado interno.

