O complexo de biodiesel da Soli3 em Cruz Alta (RS), avaliado em R$ 1,25 bilhão, recebeu em 1º de setembro o primeiro financiamento do projeto: R$ 200 milhões do Banrisul. A formalização ocorreu durante a Expointer e marca a transição do empreendimento da fase de planejamento para a execução plena das obras civis, previstas para começar em outubro de 2026.

O projeto, conduzido por um consórcio de cooperativas gaúchas, já havia iniciado os trabalhos de terraplanagem em 30 de junho. Com o aporte confirmado, a etapa de construção civil está programada para avançar até outubro de 2026, com início de operações projetado para 2028. O complexo incluirá armazéns e infraestrutura logística integrada à malha ferroviária de Cruz Alta, voltada para o escoamento de grãos e derivados.

Dimensão do investimento e impacto regional

O montante de R$ 1,25 bilhão posiciona o empreendimento entre os maiores investimentos recentes em infraestrutura de biodiesel no Rio Grande do Sul. A escala do projeto reflete a estratégia de verticalização da cadeia produtiva de soja e seus derivados, com cooperativas locais assumindo protagonismo na agregação de valor e na logística de escoamento.

A integração ferroviária planejada para o complexo responde a um gargalo histórico da região: a dependência do modal rodoviário para transporte de grãos. A infraestrutura de armazenagem e a conexão com a ferrovia devem reduzir custos logísticos e ampliar a competitividade dos produtores associados às cooperativas que compõem a Soli3.

Cronograma e próximas etapas de financiamento

O financiamento de R$ 200 milhões do Banrisul representa a primeira parcela do montante necessário para viabilizar o complexo. A estrutura de capital do projeto ainda exigirá rodadas adicionais de captação, seja por meio de bancos de fomento, fundos de investimento em infraestrutura ou linhas de crédito voltadas para energias renováveis.

A conclusão da fase de terraplanagem em junho abriu caminho para o início das fundações e estruturas principais a partir de outubro. O cronograma de dois anos até a operação comercial em 2028 é apertado para empreendimentos desse porte, o que exige coordenação rigorosa entre empreiteiras, fornecedores de equipamentos e órgãos licenciadores.

Contexto de mercado e cadeia de biodiesel

O projeto da Soli3 chega em um momento de consolidação da demanda por biodiesel no Brasil, impulsionada por mandatos de mistura e políticas de descarbonização de transporte. A localização em Cruz Alta, região de forte produção de soja, garante acesso direto à principal matéria-prima do biodiesel nacional.

A integração vertical proposta pelo complexo — da recepção de grãos à produção de biodiesel e armazenagem — representa uma resposta estratégica das cooperativas para capturar margens ao longo da cadeia e reduzir a exposição à volatilidade de preços de commodities.

O que acompanhar nos próximos meses

O andamento das obras civis a partir de outubro será o primeiro indicador da capacidade de execução do cronograma. Atrasos nessa fase comprometem a data de início de operações em 2028.

As próximas rodadas de financiamento são críticas: os R$ 200 milhões do Banrisul cobrem apenas cerca de 16% do investimento total. A captação do saldo e as condições negociadas definirão a estrutura de capital e a rentabilidade futura do projeto.

Finalmente, a evolução do marco regulatório do biodiesel e as políticas de incentivo a biocombustíveis nos próximos dois anos influenciarão diretamente a viabilidade econômica do complexo e o retorno esperado pelos cooperados.