A geração de Créditos de Descarbonização (CBIOs) deve alcançar 45,45 milhões de unidades em 2026, segundo revisão para cima da projeção da StoneX. O aumento de 400 mil créditos sobre a estimativa anterior reflete a maior produção de etanol e biodiesel no país, resultando em crescimento de 5,7% em relação ao volume gerado em 2025.

O movimento, porém, mantém os preços dos CBIOs pressionados em níveis historicamente baixos. Atualmente cotados próximo de R$ 25, os créditos enfrentam um cenário de abundância de oferta que restringe qualquer possibilidade de recuperação de valores no mercado secundário, conforme análise da ANATC.

Impacto da oferta ampliada no mercado

O aumento na produção de biocombustíveis, principal fator por trás da elevação da oferta de CBIOs, reflete a expansão da capacidade produtiva do setor. Usinas e produtores de biodiesel têm ampliado suas operações, gerando mais créditos dentro do programa RenovaBio, política nacional de biocombustíveis que busca reconhecer e incentivar a redução de emissões de gases de efeito estufa.

Para as usinas, a geração maior de CBIOs representa, em tese, uma fonte adicional de receita. No entanto, a pressão sobre os preços compromete essa expectativa. Com a cotação próxima de R$ 25, os valores permanecem distantes dos patamares observados em anos anteriores, quando os créditos chegaram a ser negociados acima de R$ 70.

A dinâmica atual penaliza principalmente os produtores que dependem da comercialização de CBIOs para viabilizar investimentos em eficiência energética e expansão de capacidade. Ao mesmo tempo, distribuidoras de combustíveis — obrigadas a adquirir os créditos para cumprir metas de descarbonização — se beneficiam dos preços reduzidos, diminuindo seus custos de conformidade com o RenovaBio.

Projeção da StoneX e contexto regulatório

A StoneX, uma das principais consultorias do mercado de commodities agrícolas e energia, revisou sua projeção considerando o desempenho robusto da safra de cana-de-açúcar e a consolidação da produção de biodiesel. A consultoria acompanha de perto a oferta e demanda de CBIOs, fornecendo referências para o mercado secundário e para análise de tendências.

O RenovaBio estabelece metas anuais de descarbonização que as distribuidoras devem cumprir mediante aquisição de CBIOs. Quando a oferta de créditos supera a demanda regulatória, como observado atualmente, os preços tendem a recuar. A manutenção dos valores em patamares baixos por períodos prolongados pode gerar discussões sobre ajustes nas metas ou na estrutura do programa, embora nenhuma mudança regulatória tenha sido anunciada até o momento.

O que acompanhar nos próximos dias

O mercado de CBIOs permanece sensível a três fatores principais: eventual revisão das metas de descarbonização pelo governo federal, movimentos de consolidação entre usinas que possam alterar estratégias de comercialização de créditos, e sinais de recuperação ou maior pressão nos preços no mercado secundário. Investidores e tradings atentos ao setor devem monitorar comunicações da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e declarações de entidades representativas sobre possíveis ajustes no programa. Para as usinas, a questão central continua sendo como equilibrar a expansão da produção com a rentabilidade dos créditos de descarbonização em um cenário de oferta farta e preços comprimidos.