A Refinaria Riograndense (RPR), localizada em Rio Grande (RS), aguarda aprovação de seus acionistas — Petrobras, Ultrapar e Braskem — para iniciar sua conversão integral em biorrefinaria. O projeto, que prevê investimento de R$ 6 bilhões, tem potencial para tornar a unidade a primeira refinaria brasileira a realizar transição completa de combustíveis fósseis para biocombustíveis. A decisão final está prevista para outubro, segundo informações do portal A Hora do Sul.
A transformação da refinaria inclui a produção de diesel renovável, Bio-GL e bioaromáticos, com expectativa de redução de emissões entre 65% e 80% em comparação à operação atual. O projeto representa uma mudança estrutural na matriz energética da unidade, que passaria a processar exclusivamente matérias-primas de origem biológica.
Investimento e escopo da conversão
O aporte de R$ 6 bilhões será direcionado à adaptação das instalações existentes e à implementação de novas unidades de processamento. A conversão da refinaria exige modificações em sistemas de refino e incorporação de tecnologias voltadas ao processamento de óleos vegetais e outras fontes renováveis. O diesel renovável, principal produto previsto, difere do biodiesel por sua composição química, que permite uso direto em motores a diesel sem necessidade de adaptações.
A RPR opera com sociedade formada por Petrobras, Ultrapar e Braskem. A aprovação do projeto depende do aval conjunto dos três acionistas, que avaliam o modelo de financiamento, cronograma de obras e viabilidade técnica da operação. Não há detalhamento público sobre prazos de implantação ou capacidade produtiva esperada após a conversão.
Impacto para o mercado de biocombustíveis
Caso aprovado, o projeto marca uma mudança no perfil de investimentos em refino no Brasil. Enquanto o setor de biocombustíveis já conta com unidades dedicadas à produção de etanol, biodiesel e diesel verde, a conversão completa de uma refinaria de petróleo para biorrefinaria ainda não possui precedente no país. A iniciativa pode abrir caminho para novos modelos de transição energética em ativos de refino.
A redução de emissões projetada — entre 65% e 80% — baseia-se na substituição de derivados de petróleo por combustíveis de origem renovável. O desempenho ambiental efetivo dependerá das rotas tecnológicas escolhidas, das matérias-primas processadas e das emissões ao longo da cadeia de produção. A RPR não detalhou públicamente os critérios de medição nem as premissas utilizadas no cálculo.
O projeto também se insere em um contexto de crescimento da demanda por diesel renovável no mercado brasileiro, impulsionada por políticas de descarbonização e pelo aumento da mistura obrigatória de biodiesel. A produção local de diesel renovável pode reduzir a dependência de importações e ampliar a oferta de combustíveis de baixo carbono para transporte pesado.
O que acompanhar nos próximos dias
A decisão dos acionistas da Refinaria Riograndense representa o próximo passo para viabilizar o projeto. A aprovação deve trazer detalhes sobre cronograma de obras, capacidade instalada, fontes de financiamento e contratos de fornecimento de matéria-prima. Investidores e agentes do mercado de biocombustíveis observam se o modelo de conversão total de refinaria pode ser replicado em outras unidades do país, ampliando a participação de renováveis na matriz energética brasileira.



