A 26ª Conferência Internacional DATAGRO sobre Açúcar e Etanol será realizada nos dias 26 e 27 de outubro de 2026 em São Paulo, reunindo tomadores de decisão da cadeia de açúcar e etanol do Brasil e de outros países. A programação inclui debates sobre etanol de segunda geração, bioeletricidade, biogás, captura de carbono, inovação tecnológica e financiamento, segundo informações disponibilizadas pela DATAGRO.

O encontro concentra temas que afetam diretamente as decisões de investimento e operação em usinas, tradings e empresas ligadas ao fornecimento de matérias-primas e tecnologias para a bioenergia. A diversidade de pautas reflete a ampliação do escopo tecnológico do setor sucroenergético, que avança além da produção convencional de etanol de primeira geração e açúcar para incorporar rotas de aproveitamento de biomassa residual e geração de energia elétrica.

Etanol 2G e bioeletricidade no centro da agenda

A inclusão do etanol de segunda geração na programação da conferência responde à busca por maior eficiência no uso da cana-de-açúcar. Essa rota tecnológica permite transformar bagaço e palha em combustível, materiais que antes eram destinados principalmente à queima para geração de vapor e eletricidade nas próprias usinas. A viabilidade econômica e o estágio de maturidade dos projetos de etanol 2G permanecem como desafios operacionais e financeiros para a maior parte dos produtores.

A bioeletricidade, por sua vez, já está consolidada como fonte complementar de receita para usinas que dispõem de caldeiras de alta pressão e condições de escoamento da energia excedente para a rede. O debate na conferência deve abordar tanto os aspectos regulatórios quanto as condições de mercado que influenciam a rentabilidade dessa atividade, especialmente em um ambiente de preços variáveis e concorrência com outras fontes renováveis.

Biogás e captura de carbono como frentes emergentes

A presença do biogás na agenda reflete o interesse crescente pelo aproveitamento de vinhaça, torta de filtro e outros resíduos do processo produtivo. Após tratamento e purificação, o biogás pode ser convertido em biometano, combustível que atende a especificações técnicas para uso veicular e injeção em redes de gás natural. Esse caminho exige investimentos em biodigestores, sistemas de purificação e infraestrutura de distribuição, além de definições regulatórias ainda em construção no Brasil.

A captura de carbono, tecnologia que tem atraído atenção no contexto de descarbonização industrial, entra na pauta da conferência como possibilidade de valorização adicional da produção de etanol. A aplicação prática dessa tecnologia em usinas ainda enfrenta questões de custo, escala e destinação do CO₂ capturado, seja para armazenamento geológico, seja para uso industrial.

Financiamento e inovação como condições de viabilidade

A programação da DATAGRO 2026 também contempla discussões sobre financiamento, tema central para a implementação de projetos que demandam investimentos elevados e prazos de retorno estendidos. O acesso a linhas de crédito, a estruturação de garantias e as condições de remuneração de investidores definem a velocidade de adoção de tecnologias avançadas no setor.

A inovação tecnológica, tratada de forma transversal nos debates, envolve desde melhorias em processos já estabelecidos até a introdução de rotas completamente novas de conversão de biomassa. A conferência funciona como espaço de articulação entre fornecedores de tecnologia, produtores, tradings e instituições financeiras, permitindo a troca de informações sobre barreiras técnicas, regulatórias e econômicas.

O que acompanhar nos próximos dias

A realização da conferência nos dias 26 e 27 de outubro oferece a oportunidade de identificar quais temas receberão maior ênfase por parte dos participantes e se haverá anúncios de parcerias, projetos ou posicionamentos setoriais. Relatórios apresentados no evento podem trazer dados atualizados sobre a evolução de tecnologias e a expectativa de mercado para os próximos anos. Também será relevante observar se surgem sinalizações sobre mudanças regulatórias ou incentivos governamentais que possam influenciar o ritmo de investimentos em biocombustíveis avançados e bioenergia.