O mercado brasileiro de combustível de aviação sustentável entra em uma nova fase com a consolidação do certificado de sustentabilidade CS‑SAF, mecanismo que permite rastrear e validar os atributos ambientais do produto ao longo da cadeia de fornecimento. Segundo publicação do portal Meio Filtrante, o Instituto Totum ganha relevância como agente independente nesse processo de certificação, refletindo o amadurecimento do sistema de rastreabilidade e a demanda crescente por transparência no setor.
O CS‑SAF funciona como um documento digital que acompanha cada lote de combustível sustentável, registrando origem da matéria-prima, rota tecnológica utilizada, reduções de emissões de gases de efeito estufa e demais informações necessárias para comprovar a conformidade do produto com critérios de sustentabilidade. A rastreabilidade permite que companhias aéreas e outros compradores demonstrem o cumprimento de metas ambientais e atendam a exigências regulatórias cada vez mais rigorosas.
Papel da certificação independente
A atuação de certificadoras independentes como o Instituto Totum responde à necessidade de validar as informações declaradas pelos produtores de SAF. Diferentemente de processos de autocertificação ou verificação interna, a certificação independente confere credibilidade ao sistema ao submeter os dados a auditoria externa, seguindo protocolos reconhecidos internacionalmente.
Essa separação entre produção e certificação reduz o risco de declarações inconsistentes e fortalece a confiança de compradores institucionais, investidores e órgãos reguladores. Para o mercado de aviação sustentável, a consolidação desse modelo de certificação representa um avanço na estruturação de uma cadeia verificável, requisito essencial para a escalabilidade comercial do SAF.
Contexto regulatório e adesão do setor
A expansão do CS‑SAF ocorre em um momento no qual a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) vem desenvolvendo regulamentos específicos para o combustível de aviação sustentável no Brasil. Embora o arcabouço normativo ainda esteja em construção, a consolidação de sistemas voluntários de certificação e rastreabilidade prepara o terreno para futuras exigências compulsórias e facilita a integração do SAF brasileiro a mercados internacionais.
A adesão de companhias aéreas ao sistema de certificados também contribui para esse movimento. Com metas de descarbonização estabelecidas para os próximos anos e pressão de investidores e consumidores, essas empresas buscam garantias documentadas sobre o perfil ambiental do combustível adquirido, o que fortalece a demanda por certificação robusta e auditável.
Impacto sobre produtores e tradings
Para produtores de SAF, a consolidação do CS‑SAF implica a necessidade de adequar processos internos para atender aos requisitos de rastreabilidade e documentação exigidos pelas certificadoras. Isso inclui registros detalhados de matérias-primas, controles de processo e cálculos de emissões segundo metodologias reconhecidas. A estruturação desses sistemas operacionais pode representar custo adicional, mas também diferencia o produto em um mercado cada vez mais segmentado por critérios de sustentabilidade.
Tradings e distribuidores, por sua vez, passam a contar com um instrumento padronizado para negociar atributos ambientais separadamente do produto físico, abrindo caminho para modelos de comercialização mais flexíveis e para a criação de mercados de certificados ambientais específicos para o setor de aviação.
O que acompanhar nos próximos dias
A evolução dos regulamentos da ANP sobre o CS‑SAF será determinante para definir critérios mínimos de certificação, requisitos de auditoria e prazos de implementação. A adesão de novas certificadoras ao sistema e a ampliação do número de companhias aéreas que adotam o certificado como critério de compra também merecem acompanhamento, pois indicam o ritmo de consolidação do mercado. Por fim, a publicação de metodologias de cálculo de emissões e de protocolos de rastreabilidade aceitos internacionalmente ajudará a posicionar o SAF brasileiro em cadeias globais de fornecimento.



