A São Martinho, maior produtora de açúcar e etanol do Brasil, reportou queda de 39% no lucro líquido do primeiro trimestre da safra 2026/27, segundo dados divulgados pela companhia e reportados pelo NovaCana e pelo Estadão. O resultado reflete a pressão exercida pela desvalorização das principais commodities do setor sucroenergético, tanto no mercado doméstico quanto no internacional.
O desempenho financeiro da empresa espelha um momento delicado para o setor, marcado por preços estáveis ou em baixa que comprimem as margens dos produtores. A combinação de oferta equilibrada e demanda sem grandes sobressaltos tem mantido as cotações do etanol em patamares pouco favoráveis aos usineiros, enquanto o açúcar enfrenta suas próprias dinâmicas de mercado.
Etanol mantém estabilidade em São Paulo
No mercado paulista, os preços do etanol permanecem estáveis devido ao equilíbrio entre oferta e demanda, conforme análise do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq) divulgada pelo Canal Rural. A estabilidade, embora sinalize previsibilidade para o setor, não tem sido suficiente para impulsionar os resultados financeiros das usinas, que enfrentam custos de produção elevados e margens apertadas.
A dinâmica do mercado de etanol contrasta com movimentos recentes observados nas cotações do açúcar, que apresentam alta, segundo reportagem da Globo Rural. Essa diferença de comportamento entre os dois principais produtos do setor sucroenergético cria um cenário de decisões estratégicas complexas para os produtores, que precisam calibrar o mix de produção entre açúcar e etanol conforme as sinalizações de preço.
Cenário desafiador para o setor
O resultado da São Martinho serve como termômetro para o setor sucroenergético brasileiro, que atravessa um período de ajustes após anos de expansão. A queda expressiva no lucro evidencia a vulnerabilidade das empresas do segmento às oscilações de preços das commodities, especialmente em um contexto de custos operacionais persistentemente elevados.
Para o restante da safra 2026/27, o setor aguarda sinais mais claros de recuperação dos preços, tanto no mercado interno quanto externo. A capacidade das usinas de manterem rentabilidade dependerá da evolução da demanda por etanol — influenciada pela frota flex e pela competitividade frente à gasolina — e do comportamento do mercado internacional de açúcar, sujeito a fatores climáticos e geopolíticos que afetam a oferta global.