O Corredor Verde da TransJordano inicia operação em 7 de outubro de 2026, em Sumaré (SP), marcando a entrada do biometano no transporte pesado de cargas em escala comercial no estado de São Paulo. O projeto conta com financiamento de R$ 140 milhões do BNDES e prevê a substituição de diesel por biometano em uma frota de 100 caminhões Scania até dezembro de 2026, segundo informações do portal Click Petróleo e Gás.

A infraestrutura do Corredor Verde contempla três pontos de abastecimento distribuídos em Sumaré, Ribeirão Preto e Cubatão, cobrindo um trajeto de 1.150 quilômetros que conecta o interior paulista ao Porto de Santos. O diferencial estratégico do projeto reside na abertura da rede de abastecimento a outras transportadoras, criando uma infraestrutura compartilhada que pode acelerar a transição energética no transporte rodoviário de cargas.

Estrutura de financiamento e modelo de negócio

O aporte de R$ 140 milhões do BNDES viabiliza tanto a aquisição da frota quanto a implantação da infraestrutura de abastecimento. A operação representa uma das maiores aplicações de biometano no transporte pesado no Brasil, consolidando a rota como corredor pioneiro na descarbonização do modal rodoviário.

O modelo de negócio adotado pela TransJordano, ao abrir os pontos de abastecimento para outras empresas de transporte, pode criar efeito multiplicador na demanda por biometano e estimular investimentos adicionais em produção e logística do combustível. A capilaridade da rede ao longo de rotas estratégicas do estado paulista posiciona o projeto como referência para replicação em outros corredores logísticos.

Impacto na cadeia de biocombustíveis

A entrada em operação do Corredor Verde reforça a diversificação da matriz energética do transporte pesado brasileiro, até então dominado pelo diesel. O biometano, produzido a partir de resíduos orgânicos e efluentes agropecuários, oferece vantagens em termos de redução de emissões de gases de efeito estufa e custos operacionais, especialmente em rotas longas e regulares.

Para o setor de biogás e biometano, o projeto representa ampliação de mercado e estímulo à produção em escala. A demanda regular gerada por uma frota de 100 caminhões e pela potencial adesão de outras transportadoras pode atrair novos investimentos em plantas de produção e em infraestrutura de distribuição no estado de São Paulo.

A Scania, fornecedora dos caminhões movidos a biometano, consolida sua posição no segmento de veículos pesados alimentados por combustíveis renováveis, agregando volume a uma tecnologia que vem ganhando tração em mercados europeus e agora se expande no Brasil.

O que acompanhar nos próximos dias

A aceitação da infraestrutura de abastecimento por outras transportadoras será indicador-chave do potencial de escalonamento do modelo. A adesão de novos players pode validar a viabilidade econômica e operacional do biometano em rotas de longa distância.

A efetiva redução de emissões e o impacto nos custos operacionais comparados ao diesel deverão ser monitorados ao longo dos primeiros meses de operação, fornecendo dados concretos para análise de retorno do investimento e atratividade do combustível.

A possibilidade de replicação do Corredor Verde para outras rotas estratégicas, tanto em São Paulo quanto em outros estados, dependerá dos resultados operacionais e da capacidade de estruturação de novos financiamentos junto ao BNDES e demais instituições financeiras voltadas à transição energética no transporte.