A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a startup Bionow firmaram em 29 de setembro de 2026 um acordo de pesquisa, desenvolvimento e inovação no valor de R$ 1,1 milhão para transformar alcatrão — subproduto da produção de biocarvão — em biocombustível. A iniciativa, com duração prevista de um ano, tem coordenação técnica da unidade Embrapii E-Renova, vinculada à Faculdade de Engenharia Química (FEQ) e ao Centro de Pesquisas de Petróleo (Cepetro) da Unicamp, conforme informações do Jornal da Unicamp.
O alcatrão é gerado durante o processo de pirólise florestal, etapa essencial na fabricação de biocarvão. Tradicionalmente tratado como resíduo, esse subproduto concentra compostos orgânicos que podem ser aproveitados como fonte energética ou matéria-prima para a indústria química. O objetivo central da parceria é aprimorar a estabilidade, o poder calorífico e a segurança de armazenamento do alcatrão, tornando viável sua comercialização e uso como biocombustível.
Estrutura e financiamento do projeto
O projeto conta com apoio da Embrapii (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial) e do Sebrae, o que viabiliza a geração de nove bolsas de pesquisa voltadas ao desenvolvimento técnico e científico. A estrutura de financiamento compartilhado entre instituição de ciência e tecnologia, empresa privada e agentes de fomento reflete o modelo colaborativo que vem ganhando tração no ecossistema brasileiro de bioenergia.
Além dos avanços técnicos esperados, a parceria prevê a possibilidade de licenciamento de propriedade intelectual gerada ao longo do projeto. Esse componente é estratégico para a startup Bionow, que atua no segmento de valorização de biomassa, e para a Unicamp, que busca ampliar a transferência de conhecimento para o setor produtivo.
Relevância para o setor de bioenergia
A conversão de alcatrão em biocombustível insere-se no conceito de economia circular aplicado à bioenergia. Ao transformar um passivo ambiental da cadeia de biocarvão em ativo energético, a pesquisa pode gerar ganhos econômicos e ambientais significativos para produtores de biomassa e empresas do setor florestal.
O aprimoramento das propriedades físico-químicas do alcatrão é essencial para sua aceitação comercial. Questões como viscosidade, composição química, estabilidade térmica e facilidade de manuseio impactam diretamente a viabilidade de uso em caldeiras, fornos industriais ou como insumo para biorrefino. A pesquisa da Unicamp e Bionow pode abrir caminho para a padronização desse subproduto e sua inserção em cadeias de suprimento de energia renovável.
Potencial de mercado e aplicações industriais
O alcatrão de pirólise apresenta características energéticas promissoras, mas sua aplicação comercial ainda enfrenta barreiras tecnológicas e regulatórias. A pesquisa em andamento visa justamente endereçar esses desafios, desenvolvendo processos que melhorem o perfil do produto para aplicações industriais ou sua utilização direta como combustível.
Para produtores de biocarvão, a valorização do alcatrão representa oportunidade de diversificação de receita e redução de custos de descarte. Para o setor de bioenergia, a inclusão de novos vetores energéticos derivados de biomassa amplia o portfólio de soluções renováveis disponíveis no mercado.
O que acompanhar nos próximos dias
A evolução técnica dos testes e processos físico-químicos aplicados ao alcatrão será determinante para avaliar a viabilidade comercial da tecnologia. Investidores e empresas do setor devem acompanhar a publicação de resultados parciais, a identificação de possíveis aplicações industriais e o cronograma de entregáveis da pesquisa. A captação de propriedade intelectual e eventuais licenciamentos também merecem atenção, pois sinalizam o potencial de escala da solução desenvolvida.



