O mercado brasileiro de biogás e biometano registrou mais de R$ 2,36 bilhões em contratos de financiamento de longo prazo desde 2015, com uma concentração expressiva de 79% desse volume contratado apenas nos últimos três anos. Os dados foram apresentados durante o evento ‘Financiamento de Projetos de Biogás e Biometano’, realizado em 28 de setembro, com participação de representantes da Machado Meyer, ABiogás e Watt Capital, segundo informações divulgadas pelo portal Energia e Biogás e pelo Brasil Inovador.
O encontro reuniu instituições financeiras como BNDES e Banco do Brasil, além de empresas atuantes no setor, incluindo São Martinho, Albioma e Orizon, para discutir a nova fase de expansão do segmento, marcada por maior robustez regulatória e diversificação de instrumentos de crédito. A concentração de 79% dos financiamentos nos últimos três anos evidencia a aceleração recente do setor, impulsionada por marcos regulatórios e pela crescente atratividade dos projetos junto a investidores e agentes financeiros.
Debêntures incentivadas e BNDES na estruturação de crédito
Os recursos mobilizados desde 2015 contemplam operações realizadas por meio do BNDES e debêntures incentivadas, instrumentos que têm ganhado protagonismo na viabilização de projetos de biogás e biometano no país. As debêntures incentivadas, em particular, têm sido utilizadas como alternativa para financiar empreendimentos de infraestrutura energética, oferecendo vantagens tributárias aos investidores e permitindo prazos mais alongados compatíveis com a maturação dos projetos.
A atuação do BNDES no segmento tem sido fundamental para estruturar linhas de crédito específicas e oferecer condições diferenciadas, especialmente para projetos que utilizam resíduos agroindustriais, efluentes e resíduos sólidos urbanos como matéria-prima. A combinação de diferentes fontes de financiamento tem permitido a diversificação dos modelos de captação, reduzindo riscos e ampliando o acesso ao capital necessário para a implantação e operação de plantas de biogás e biometano.
Lei do Combustível do Futuro como vetor de viabilidade
A Lei do Combustível do Futuro tem sido apontada como um dos principais vetores para a viabilização de crédito no setor, ao estabelecer diretrizes claras para a participação do biometano na matriz energética brasileira e criar condições regulatórias favoráveis à atração de investimentos. O marco legal contribui para reduzir incertezas e oferece maior previsibilidade aos agentes financeiros, facilitando a estruturação de operações de crédito de longo prazo.
A abertura do mercado de gás natural, combinada com a regulação específica para biometano, amplia as possibilidades de comercialização e fortalece a competitividade do combustível renovável. Esse cenário favorece a entrada de novos players no setor e estimula a expansão de projetos que integram a cadeia de resíduos e economia circular, conectando a produção de biogás à gestão sustentável de passivos ambientais.
O que acompanhar nos próximos dias
O mercado deve observar quais instituições financeiras começam a ofertar debêntures incentivadas especificamente direcionadas a projetos de biogás e biometano, bem como os critérios e condições adotados para esse tipo de operação. A aplicação prática da Lei do Combustível do Futuro na estruturação de crédito e a eventual publicação de editais ou linhas de financiamento diferenciadas também merecem atenção.
Outro ponto relevante é o detalhamento dos modelos financeiros empregados em projetos de diferentes portes e configurações tecnológicas, especialmente aqueles que combinam geração de energia elétrica, produção de biometano para injeção em rede e aproveitamento de biofertilizantes. A evolução dos volumes contratados e a participação de novos agentes financeiros serão indicadores importantes da consolidação do setor como destino de investimentos estruturados.



